Como trabalhar parlenda na educação infantil

A parlenda é muito mais que uma simples brincadeira de palavras: ela é uma ferramenta pedagógica poderosa para trabalhar parlenda na educação infantil, estimulando a linguagem, a memória e a criatividade das crianças. Essas sequências rítmicas e musicais, transmitidas oralmente há gerações, capturam a atenção dos pequenos enquanto desenvolvem habilidades fundamentais como pronúncia, entonação e consciência fonológica de forma natural e divertida.

No Colégio Itatiaia, compreendemos que a educação infantil vai muito além de conteúdos tradicionais. Ao incorporar parlendas na rotina escolar, potencializamos o desenvolvimento cognitivo, emocional e motor das crianças através de experiências lúdicas que as envolvem completamente. As parlendas funcionam como um elo entre o aprendizado acadêmico e a brincadeira, permitindo que os pequenos absorvam conhecimento enquanto se divertem com seus colegas.

Com mais de 40 anos de tradição em educação infantil em São Paulo, nossa proposta pedagógica humanizada valoriza justamente essas práticas que conectam cultura, ludicidade e aprendizagem significativa. Descubra como integrar parlendas em sua prática educativa e transforme o desenvolvimento das crianças através de uma metodologia que une tradição e inovação.

O que são parlendas e por que são essenciais na Educação Infantil

Definição de parlenda e suas características principais

Parlenda é um texto oral de tradição popular, geralmente rimado e ritmado, transmitido de geração em geração entre crianças e adultos. O termo vem do latim parlare, que significa “falar”, e define com precisão a natureza desse gênero: ele existe para ser dito em voz alta, repetido, cantado e encenado. As parlendas integram o universo do folclore brasileiro e se caracterizam por estruturas curtas, sonoridade marcante, repetição de sons e palavras, e forte apelo lúdico.

Entre as principais características das parlendas, destacam-se:

  • Rima e ritmo regulares: a musicalidade natural facilita a memorização e torna a recitação prazerosa.
  • Linguagem acessível: vocabulário simples, direto e próximo da fala cotidiana da criança.
  • Função lúdica: muitas parlendas acompanham jogos, escolhas de participantes em brincadeiras (como o “dedo mindinho”) ou movimentos corporais.
  • Transmissão oral: são passadas de boca a boca, o que reforça o vínculo cultural e afetivo entre gerações.
  • Estrutura previsível: a repetição de padrões sonoros cria segurança e confiança nas crianças pequenas.

Exemplos clássicos como “Dedo mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura-bolo e o matacanha” ou “Uni duni tê, salamê minguê” já mostram como esse gênero une diversão, corporalidade e linguagem de forma indissociável.

Benefícios das parlendas para o desenvolvimento infantil: linguagem, memória e coordenação motora

Explorar parlendas na Educação Infantil vai muito além do entretenimento. Cada vez que uma criança recita uma delas, exercita simultaneamente diversas habilidades cognitivas, linguísticas e motoras. Esse caráter multidimensional é o que torna esse gênero tão valioso nos primeiros anos de vida escolar.

Do ponto de vista da linguagem, as parlendas ampliam o vocabulário, desenvolvem a consciência fonológica — percepção de sons, sílabas e rimas —, estimulam a fluência oral e introduzem a criança ao conceito de texto como estrutura com início, meio e fim. A repetição rítmica favorece a internalização de padrões sonoros que serão fundamentais no processo de alfabetização.

Em relação à memória, a estrutura rimada funciona como âncora mnemônica: o cérebro infantil retém com muito mais facilidade informações que seguem padrões sonoros previsíveis. Isso explica por que adultos ainda lembram de parlendas aprendidas na infância décadas depois.

Quanto à coordenação motora, muitas parlendas são acompanhadas de gestos, palmas, movimentos de dedos e deslocamentos pelo espaço. Essa integração entre fala e corpo fortalece a coordenação motora fina e grossa, o esquema corporal e a lateralidade. O aspecto socioemocional também merece atenção: as parlendas criam vínculos afetivos, promovem a escuta do outro, ensinam a aguardar a vez e fortalecem a autoestima quando a criança percebe que consegue recitar com desenvoltura.

Parlendas como gênero discursivo e sua relação com o folclore brasileiro

Do ponto de vista da linguística e da pedagogia, as parlendas são classificadas como um gênero discursivo oral de tradição popular. Isso significa que possuem função social definida, circulam em contextos específicos — brincadeiras, rodas, jogos — e carregam marcas culturais de um povo. Levá-las para a sala de aula é, portanto, uma forma de aproximar as crianças da diversidade cultural brasileira e do patrimônio imaterial do país.

O folclore brasileiro é riquíssimo em parlendas que refletem diferentes regiões, sotaques e tradições. Muitas chegaram ao Brasil com os colonizadores portugueses e foram sendo adaptadas ao longo dos séculos; outras têm raízes indígenas ou africanas. Esse mosaico cultural torna as parlendas um recurso pedagógico privilegiado para abordar a diversidade na Educação Infantil, conectando as crianças às suas origens e às histórias de seus antepassados de forma leve e prazerosa.

Ao posicionar as parlendas como gênero discursivo — e não apenas como “brincadeira” —, o professor amplia a proposta pedagógica e cria oportunidades para desenvolver habilidades de leitura, escrita, oralidade e letramento literário desde os primeiros anos da Educação Infantil.

Como trabalhar parlendas na Educação Infantil: passo a passo prático

Como apresentar a parlenda pela primeira vez para as crianças

A primeira apresentação de uma parlenda deve ser marcante, sensorial e envolvente. O professor precisa ser o modelo oral: recitar o texto com entonação clara, ritmo bem marcado, expressão facial e corporal. Crianças aprendem por imitação, e a forma como o educador apresenta a parlenda vai determinar o engajamento da turma.

Algumas estratégias eficazes para esse momento inicial:

  1. Recite sem explicar: deixe a parlenda “falar por si mesma” na primeira vez. O impacto sonoro e rítmico precisa ser experimentado antes de ser analisado.
  2. Repita imediatamente: recite uma segunda vez convidando as crianças a baterem palmas no ritmo ou a repetirem as últimas palavras de cada verso.
  3. Use suporte visual: apresente um cartaz com o texto escrito — mesmo que as crianças ainda não leiam —, pois o contato com a escrita desenvolve o letramento emergente.
  4. Contextualize culturalmente: conte de onde vem a parlenda, como era usada antigamente, se serve para jogar, para escolher participantes ou apenas para recitar.
  5. Convide à participação gradual: na terceira ou quarta repetição, as crianças já começarão a antecipar palavras. Deixe pausas estratégicas para que completem os versos.

Evite apresentar mais de uma parlenda nova na mesma aula. A exploração aprofundada de um único texto traz muito mais aprendizado do que a variedade sem consistência.

Estratégias de repetição oral, rítmica e corporal em sala de aula

A repetição é o coração do trabalho com parlendas — mas precisa ser variada para não se tornar mecânica e perder o sentido. O desafio do professor está em criar múltiplas formas de retomar o mesmo texto, mantendo o engajamento e aprofundando a compreensão.

Veja estratégias que funcionam muito bem na prática:

  • Repetição em eco: o professor recita um verso e as crianças repetem imediatamente, como um eco. Excelente para internalizar o ritmo.
  • Coro e solo: alterne momentos em que toda a turma recita junta com momentos em que uma criança recita sozinha. Isso desenvolve confiança e fluência oral.
  • Variação de volume: recite sussurrando, em voz normal e em voz alta. A alternância mantém a atenção e desenvolve o controle vocal.
  • Palmas e percussão corporal: bater palmas, estalar dedos, bater nas coxas — cada sílaba ou verso pode ganhar uma marcação corporal diferente.
  • Movimentos específicos: para parlendas de dedos, como “Dedo mindinho”, cada trecho do texto corresponde a um gesto. Para parlendas de roda, o movimento é coletivo e espacial.
  • Omissão de palavras: o professor recita e omite propositalmente uma palavra no final do verso, aguardando que as crianças completem. Isso ativa a memória e a antecipação linguística.

O essencial é preservar o caráter lúdico em todos os momentos. A repetição deve parecer brincadeira, não treino.

Como usar livros interativos e materiais visuais para explorar parlendas

O uso de suportes visuais e materiais concretos potencializa o trabalho com parlendas, especialmente porque as crianças da Educação Infantil estão em pleno desenvolvimento da linguagem visual e da leitura de imagens. Há excelentes livros ilustrados dedicados a parlendas brasileiras, como os da coleção de folclore da Editora Global e os títulos de Sylvia Orthof e Ana Maria Machado.

Além dos livros, outros recursos visuais enriquecem a experiência:

  • Cartazes com texto e ilustrações: escreva a parlenda em letras grandes e ilustre cada verso. Durante a recitação, aponte as palavras — isso cria a associação entre fala e escrita.
  • Sequência de imagens: crie ou imprima imagens que representem cada parte da parlenda em ordem. As crianças podem organizá-las enquanto recitam.
  • Fantoches e dedoches: para parlendas narrativas, fantoches dão vida aos personagens e tornam a recitação mais dramática e envolvente.
  • Vídeos e áudios: gravações de parlendas recitadas por diferentes pessoas — crianças, idosos, de diferentes regiões do Brasil — ampliam o repertório cultural e auditivo da turma.
  • Fichas individuais: cada criança pode receber uma ficha com a parlenda escrita e ilustrada para levar para casa, envolvendo a família na brincadeira.

O material visual também serve como suporte para o uso do caderno na Educação Infantil, onde as crianças podem copiar palavras-chave, ilustrar versos ou registrar suas próprias versões da parlenda com desenhos.

3 propostas de atividades com parlendas para diferentes faixas etárias

Atividade 1: Parlenda com movimento corporal e brincadeira (berçário e maternal)

Parlenda sugerida: “Dedo mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura-bolo e o matacanha. Bate, bate, bate!”

Objetivo: estimular a coordenação motora fina, o esquema corporal, a percepção sonora e o vínculo afetivo entre criança e educador.

Desenvolvimento: o professor senta em roda com as crianças — ou individualmente no berçário — e recita a parlenda segurando a mãozinha da criança, tocando cada dedo enquanto pronuncia cada trecho do texto. O ritmo deve ser suave e a entonação, calorosa. Após algumas repetições, convide as crianças a “recitarem” junto: mesmo que ainda não falem com clareza, a participação vocal e gestual já constitui aprendizagem. No maternal, as crianças podem recitar em duplas, segurando as mãos uma da outra e tocando os próprios dedos.

Variação: utilize fantoches de dedos com rostos desenhados para tornar a atividade ainda mais visual e lúdica. Ao final, as crianças podem pintar livremente os dedos de suas próprias mãos em uma folha de papel.

Atividade 2: Ilustração e sequência de imagens da parlenda (Pré I e Pré II)

Parlenda sugerida: “Uni duni tê, salamê minguê, o sorvete colorê, uni duni tê.”

Objetivo: desenvolver a compreensão de texto, a sequência narrativa, a expressão artística e a associação entre linguagem oral e imagem.

Desenvolvimento: após recitar a parlenda diversas vezes em roda, o professor apresenta um cartaz com o texto escrito e dividido em partes. Cada trecho ganha uma caixa em branco ao lado. As crianças recebem uma folha com as mesmas caixas e são convidadas a ilustrar cada parte com desenho livre. Depois, compartilham suas produções com a turma, recitando enquanto apontam para os próprios desenhos.

Em seguida, o professor embaralha imagens pré-produzidas da parlenda e desafia as crianças a colocá-las na ordem correta enquanto recitam. Essa atividade de sequenciação desenvolve o raciocínio lógico, a memória e a percepção de que textos possuem ordem e estrutura.

Extensão: as crianças podem criar um “livrinho” da parlenda, dobrando uma folha em quatro partes e desenhando cada verso em uma delas. O material pode ser levado para casa para compartilhar com a família.

Atividade 3: Completar lacunas e identificar rimas na parlenda (Pré II e alfabetização)

Parlenda sugerida: “Hoje é domingo, pé de cachimbo, cachimbo é de barro, barro é de pedra, pedra é de ouro, ouro é de prata, prata é de aço, aço é de ferro, viva o burro do meu cachorro!”

Objetivo: desenvolver a consciência fonológica, a identificação de rimas, a leitura emergente e a percepção da estrutura encadeada do texto.

Desenvolvimento: após a familiarização oral com a parlenda, o professor apresenta o texto escrito em cartaz com algumas palavras cobertas por etiquetas removíveis. As crianças tentam adivinhar qual palavra está embaixo de cada etiqueta, usando o contexto sonoro e a rima como pistas. Após revelar as palavras, o professor pede que identifiquem quais delas rimam — o encadeamento cria um tipo particular de jogo sonoro que vale ser explorado com a turma.

Em seguida, distribua fichas com a parlenda impressa e lacunas nas palavras finais de cada verso. As crianças completam as lacunas com as palavras do banco de dados fornecido. O trabalho pode ser feito individualmente ou em duplas, promovendo a colaboração. Para quem já escreve, o desafio pode ser registrar a palavra sem apoio visual. Essa proposta se conecta diretamente ao trabalho de desenvolvimento das vogais e da consciência fonológica na Educação Infantil.

Plano de aula completo: Conhecendo novas parlendas na Educação Infantil

Objetivos de aprendizagem alinhados à BNCC

Este plano de aula foi estruturado para turmas de Pré I e Pré II (4 a 5 anos), com adaptações possíveis para o maternal. Os objetivos estão alinhados aos campos de experiência da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a Educação Infantil:

  • Escutar e compreender textos orais de tradição popular, demonstrando interesse e participação.
  • Recitar parlendas com ritmo, entonação e expressão corporal adequados.
  • Identificar rimas e padrões sonoros em textos orais.
  • Associar imagens ao texto oral, desenvolvendo a leitura de imagens e o letramento emergente.
  • Participar de brincadeiras e jogos que envolvam linguagem oral, respeitando regras e o turno de fala dos colegas.
  • Expressar-se por meio do desenho, da pintura e da fala ao representar parlendas.

Materiais necessários e organização do espaço

Materiais:

  • Cartazes com parlendas escritas em letra bastão maiúscula e ilustradas
  • Fichas individuais com os textos para cada criança
  • Imagens sequenciais impressas ou plastificadas
  • Lápis de cor, giz de cera, tinta guache e pincéis
  • Fantoches ou dedoches (opcional, mas recomendado)
  • Aparelho de som ou caixa bluetooth para reprodução de áudios
  • Papel sulfite e papel cartão
  • Etiquetas adesivas removíveis (para a atividade de lacunas)

Organização do espaço: a roda é a formação preferencial para o trabalho com parlendas, pois favorece a visibilidade, a escuta coletiva e o senso de pertencimento ao grupo. Para atividades de movimento, é necessário garantir espaço livre no centro da sala ou utilizar o pátio. Para atividades de registro, as mesas podem ser organizadas em grupos de 4 a 6 crianças, favorecendo a interação.

Desenvolvimento da aula: roteiro detalhado em 5 dias de atividades

Dia 1 — Apresentação e imersão sonora

Inicie com a roda de conversa perguntando se as crianças já conhecem alguma parlenda. Registre as respostas no quadro. Em seguida, apresente a parlenda escolhida recitando-a três vezes com ritmo e expressão. Mostre o cartaz com o texto escrito. Convide as crianças a repetirem em coro. Finalize com uma atividade de escuta: reproduza diferentes versões da parlenda — em ritmos ou sotaques variados — e peça que identifiquem semelhanças e diferenças.

Dia 2 — Corpo e movimento

Retome a parlenda em roda. Proponha que cada verso ganhe um gesto coletivo criado pela própria turma. Ensaiem o texto com os gestos várias vezes. Depois, vá ao pátio e transforme a parlenda em uma brincadeira de roda ou em um jogo de escolha de participantes. Registre os gestos criados em um cartaz coletivo com desenhos.

Dia 3 — Exploração visual e artística

Apresente o livro ilustrado com a parlenda (se disponível) ou o cartaz sequencial. Explore as imagens antes de recitar: “O que vocês veem nessa imagem? O que acontece aqui?” Após a recitação, distribua a folha de sequência de imagens embaralhadas para que as crianças organizem enquanto recitam. Em seguida, cada criança ilustra sua parte favorita do texto com a técnica artística escolhida pelo professor — pintura, colagem ou giz de cera.

Dia 4 — Exploração da escrita e das rimas

Retome o cartaz da parlenda. Peça que as crianças identifiquem palavras que “soam parecido”. Circule-as com cores diferentes. Para o Pré II, distribua a ficha com lacunas para completar. Para o Pré I, proponha que copiem a palavra favorita da parlenda em uma ficha, ilustrando-a ao lado. Discuta em roda: “Por que algumas palavras rimam? O que elas têm em comum?”

Dia 5 — Socialização e avaliação

Cada criança — ou dupla — recita a parlenda para a turma, podendo usar os gestos criados, os fantoches ou o livrinho ilustrado. O professor registra em vídeo (com autorização) para compartilhar com as famílias. Finalize com uma roda de conversa: “O que mais gostamos nessa parlenda? Onde podemos usá-la fora da escola?”

Avaliação e registro das aprendizagens das crianças

A avaliação na Educação Infantil é processual, contínua e não classificatória. No trabalho com parlendas, o professor deve observar e registrar:

  • Participação oral: a criança recita com ritmo? Demonstra prazer? Consegue antecipar palavras?
  • Consciência fonológica: identifica rimas? Percebe padrões sonoros?
  • Expressão corporal: integra gestos ao texto? Demonstra coordenação motora?
  • Interação social: respeita o turno dos colegas? Participa das brincadeiras coletivas?
  • Produção artística: as ilustrações demonstram compreensão do texto?

Os instrumentos de registro podem incluir: portfólio individual com as produções da criança, fichas de observação preenchidas pelo professor, fotografias das atividades, vídeos das recitações e anotações em diário de classe. Esses registros são fundamentais para comunicar às famílias o desenvolvimento infantil e para planejar as próximas etapas do trabalho pedagógico.

13 dicas para usar parlendas na alfabetização e no letramento

Explorar consciência fonológica: sons, sílabas e rimas

A consciência fonológica é a capacidade de perceber e manipular os sons da língua — e as parlendas figuram entre os recursos mais eficazes para desenvolvê-la. Veja dicas práticas:

  1. Bater palmas por sílabas: recite a parlenda batendo uma palma para cada sílaba. Depois, peça que as crianças façam o mesmo. Varie: bata no joelho, estale os dedos, dê um pulo.
  2. Caça às rimas: após recitar, pergunte “Que palavras rimam nessa parlenda?” Forme pares de rimas e escreva-os no quadro. Desafie as crianças a encontrar outras palavras que rimem com as do texto.
  3. Troca de palavras: substitua uma palavra da parlenda por outra que rime e veja se o texto “ainda funciona”. Esse jogo metalinguístico desenvolve a percepção de que a língua é flexível e criativa.
  4. Contagem de palavras: recite um verso e peça que as crianças levantem um dedo para cada palavra. Isso desenvolve a consciência de que o fluxo da fala se divide em unidades menores.
  5. Identificação do som inicial: destaque palavras da parlenda e pergunte “Com que letra ou som essa palavra começa?” Conecte ao trabalho com o alfabeto de forma lúdica.

Trabalhar a oralidade e a escuta ativa com parlendas em roda

  1. Roda de recitação: cada criança recita um verso em sequência, como um revezamento. Isso estimula a escuta ativa, pois cada uma precisa estar atenta para saber quando é sua vez.
  2. Parlenda em telefone sem fio: sussurre o texto para a primeira criança da roda e peça que ela passe adiante. Compare a versão final com a original — ótima oportunidade para discutir como a comunicação oral pode se transformar ao longo do caminho.
  3. Variação de velocidade: recite muito devagar, em velocidade normal e muito rápido. As crianças adoram o desafio e desenvolvem o controle articulatório.
  4. Conversa sobre o texto: após a recitação, faça perguntas abertas: “O que acontece nessa parlenda? Quem são os personagens? Onde isso se passa?” Isso aprimora a compreensão oral e a capacidade de interpretação.

Integrar parlendas a outras áreas: matemática, artes e educação física

  1. Matemática: use parlendas de contagem (“Um, dois, feijão com arroz…”) para trabalhar sequência numérica, adição e subtração. Conecte ao trabalho de números de forma lúdica na Educação Infantil.
  2. Artes visuais: proponha que as crianças criem ilustrações, colagens ou esculturas inspiradas nos personagens ou situações da parlenda. O trabalho com argila, por exemplo, pode ganhar novos sentidos quando articulado a textos do folclore.
  3. Educação física: transforme parlendas em jogos de movimento — corrida, pular corda, amarelinha com versos. O ritmo do texto marca o tempo das ações motoras.
  4. Artes cênicas: proponha que as crianças dramatizem a parlenda, criando personagens, cenários e figurinos simples. Isso integra linguagem, expressão corporal, criatividade e trabalho em equipe — dimensões que também aparecem quando se trabalha o cordel na Educação Infantil.

Lista de parlendas mais usadas na Educação Infantil com sugestões de uso

Parlendas clássicas do folclore brasileiro para sala de aula

Os textos a seguir fazem parte do repertório tradicional brasileiro e são amplamente utilizados em escolas de todo o país. Para cada um, há uma sugestão pedagógica específica:

  • “Hoje é domingo”: excelente para trabalhar encadeamento lógico, vocabulário de materiais e a ideia de transformação. Pode abrir uma discussão sobre de onde vêm as coisas — madeira, pedra, metal.
  • “Dedo mindinho”: ideal para coordenação motora fina, nomeação das partes do corpo e afeto. Perfeita para o berçário e o maternal.
  • “Serra, serra, serrador”: ótima para atividades de movimento em duplas — serrar com os braços —, desenvolvendo coordenação e interação social.
  • “Corre, corre, corre, a pipa no ar”: trabalha noções espaciais como alto, baixo, longe e perto, e pode ser integrada a atividades ao ar livre.
  • “Um, dois, feijão com arroz”: clássica para contagem, sequência numérica e introdução à matemática de forma lúdica.
  • “Lá em cima do piano”: rica em sonoridade e nonsense, estimula a criatividade e a percepção de que a linguagem pode ser usada de forma inventiva.

Parlendas para jogos e brincadeiras de grupo

Algumas parlendas têm função específica dentro de brincadeiras tradicionais e são essenciais para a socialização e o aprendizado de regras:

  • “Uni duni tê”: usada para sortear participantes em jogos. Ensina a criança a aceitar o resultado do sorteio e a respeitar a escolha aleatória.

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