Como trabalhar parlendas na educação infantil

As parlendas são ferramentas poderosas para o desenvolvimento infantil, e saber como trabalhar parlendas na educação infantil é essencial para educadores que desejam potencializar a aprendizagem de forma lúdica e envolvente. Essas brincadeiras ritmadas, repletas de sons, rimas e movimentos, estimulam não apenas a linguagem e a memória das crianças, mas também fortalecem vínculos afetivos, desenvolvem coordenação motora e ampliam o vocabulário de forma natural e divertida.

No Colégio Itatiaia, compreendemos que as parlendas são muito mais que simples diversão: são estratégias pedagógicas que transformam o aprendizado em experiências significativas. Quando integradas adequadamente à rotina escolar, elas promovem concentração, ritmo, musicalidade e até mesmo alfabetização, tudo isso enquanto as crianças brincam e se divertem com os colegas.

Neste artigo, você descobrirá como incorporar parlendas em diferentes momentos da educação infantil, desde atividades de acolhimento até práticas de desenvolvimento cognitivo e emocional, sempre respeitando as fases do desenvolvimento infantil e tornando o aprendizado uma experiência prazerosa e transformadora.

O que são parlendas e por que são essenciais na Educação Infantil

Para entender como trabalhar parlendas na Educação Infantil, é preciso primeiro reconhecer o que esse gênero representa dentro da cultura popular e da pedagogia. Parlendas vão muito além de simples jogos de palavras: são instrumentos potentes de desenvolvimento linguístico, cognitivo e motor, presentes na infância brasileira há gerações. Conhecer sua natureza e seus benefícios é o ponto de partida para aplicá-las com real intencionalidade pedagógica.

Definição de parlenda e suas características principais

Parlenda é um texto oral pertencente ao folclore infantil, marcado pela repetição rítmica de palavras, rimas, sonoridades acentuadas e estrutura mnemônica — isto é, de fácil memorização. O termo deriva do verbo “parlar”, que significa falar, e isso já revela sua essência: são textos feitos para serem ditos em voz alta, de preferência em grupo e em movimento.

As características que definem uma parlenda incluem:

  • Ritmo marcado: a cadência das sílabas cria um padrão sonoro previsível e envolvente para as crianças.
  • Rimas frequentes: ao final dos versos ou entre palavras internas, as rimas reforçam a musicalidade e facilitam a memorização.
  • Função lúdica: quase sempre acompanham brincadeiras, contagens, escolhas de participantes em jogos ou movimentos corporais.
  • Transmissão oral: passadas de geração em geração, muitas vezes sem autoria definida, integram o patrimônio cultural coletivo.
  • Linguagem acessível: vocabulário simples, estruturas curtas e repetições que permitem a participação imediata mesmo das crianças menores.

Exemplos clássicos como “Uni duni tê, salamê minguê”, “Hoje é domingo, pé de cachimbo” e “Serra, serra, serrador” ilustram bem essas características. Cada um carrega ritmo, rima e uma função social clara dentro das brincadeiras infantis.

Benefícios das parlendas para o desenvolvimento infantil: linguagem, memória e coordenação motora

O trabalho sistemático com parlendas na Educação Infantil gera ganhos mensuráveis em múltiplas dimensões do desenvolvimento. Do ponto de vista da linguagem oral, a repetição de estruturas rítmicas amplia o vocabulário, aprimora a articulação das palavras e favorece a fluência verbal. A criança que recita parlendas com regularidade treina a pronúncia, assimila novas palavras em contexto e internaliza estruturas sintáticas de forma natural.

No campo da memória, as parlendas funcionam como exercícios cognitivos de natureza lúdica. A repetição ritmada aciona simultaneamente a memória de trabalho e a de longo prazo, criando conexões neurais que facilitam outros aprendizados. Pesquisas em neuroeducação mostram que informações apresentadas com ritmo e melodia são retidas com muito mais eficiência do que aquelas transmitidas de forma linear e estática.

Quanto à coordenação motora, muitas parlendas são acompanhadas de gestos, palmas, movimentos de mãos e deslocamento no espaço. Essa associação entre fala e movimento estimula tanto a coordenação fina quanto a grossa, além do equilíbrio, da lateralidade e da noção espacial. Parlendas como “Serra, serra, serrador”, executadas em duplas com movimentos de braços, são exemplos perfeitos dessa integração.

Outros ganhos relevantes incluem:

  • Desenvolvimento da consciência fonológica, base para a alfabetização;
  • Fortalecimento do vínculo social e da identidade cultural;
  • Estímulo à atenção e à concentração;
  • Desenvolvimento da imaginação e da criatividade;
  • Ampliação da capacidade de escuta ativa.

Parlendas como gênero discursivo e sua relação com o folclore brasileiro

Do ponto de vista linguístico, as parlendas são classificadas como um gênero discursivo oral pertencente ao universo do folclore. Ao lado de cantigas de roda, adivinhas, trava-línguas e quadrinhas, compõem o vasto repertório da cultura popular infantil brasileira — reconhecido pela BNCC como patrimônio cultural a ser valorizado, preservado e transmitido às novas gerações dentro da escola.

A relação das parlendas com o folclore brasileiro é direta e profunda. Muitas carregam referências regionais, personagens do imaginário popular, elementos da natureza e situações do cotidiano rural ou urbano de diferentes épocas. Trabalhar com elas é, portanto, também uma forma de trabalhar o folclore na Educação Infantil, conectando as crianças às suas raízes culturais de maneira viva e prazerosa.

Ao compreender as parlendas como gênero discursivo, o professor pode explorá-las muito além da simples declamação: é possível analisar sua estrutura, comparar versões regionais de um mesmo texto, investigar origens históricas e estabelecer relações com outros gêneros do folclore. Esse olhar aprofundado enriquece a prática pedagógica e amplia os horizontes culturais das crianças desde muito cedo.

Como trabalhar parlendas na Educação Infantil: passo a passo prático

Compreender o que são parlendas é o ponto de partida, mas a questão central para os educadores é: como trabalhar parlendas na Educação Infantil de forma estruturada, respeitando as especificidades de cada faixa etária? A resposta passa por planejamento intencional, escolha adequada dos textos e progressão das atividades conforme o desenvolvimento das crianças.

Como introduzir parlendas para crianças de 0 a 3 anos (creche)

Para bebês e crianças muito pequenas, a parlenda deve ser introduzida prioritariamente como experiência sensorial e afetiva. Nessa fase, o objetivo não é a memorização nem a compreensão do conteúdo, mas o contato com o ritmo, a melodia das palavras e a presença acolhedora do adulto que as recita. O professor deve usar voz suave, expressiva e cadenciada, acompanhando o texto com gestos lentos e contato visual.

Algumas estratégias eficazes para essa faixa etária incluem:

  • Parlendas com toque corporal: textos como “Cadê o toucinho que estava aqui?” permitem que o adulto toque suavemente o corpo do bebê, estimulando o mapeamento corporal e o vínculo afetivo.
  • Repetição consistente: recitar a mesma parlenda no mesmo momento da rotina — troca de fralda, hora do banho, antes do sono — cria previsibilidade e segurança emocional.
  • Uso de fantoches e objetos: pequenos bonecos ou objetos coloridos que acompanham a recitação capturam a atenção visual e auditiva dos bebês.
  • Movimentos corporais simples: balançar, bater palminhas, mover os braços da criança no ritmo do texto estimula a propriocepção e a coordenação.

Para crianças entre 2 e 3 anos, cuja linguagem está em expansão acelerada, é possível introduzir parlendas mais longas e convidá-las a completar as rimas, repetir trechos conhecidos ou participar dos gestos com maior autonomia. A imitação é o principal mecanismo de aprendizado nessa fase, e as parlendas são instrumentos perfeitos para esse processo.

Como trabalhar parlendas com crianças de 4 e 5 anos (pré-escola)

Na pré-escola, as crianças já apresentam linguagem oral desenvolvida, maior capacidade de atenção e interesse crescente pela escrita. Nessa fase, o trabalho com parlendas pode ser significativamente mais rico e diversificado, abrangendo dimensões que preparam diretamente para a alfabetização.

Com crianças de 4 e 5 anos, o professor pode:

  • Explorar a consciência fonológica: identificar rimas, contar sílabas, perceber aliterações e isolar fonemas específicos dentro dos textos.
  • Trabalhar a escrita do próprio nome: usar parlendas que incluam os nomes das crianças ou criar versões personalizadas é uma estratégia motivadora e altamente significativa.
  • Apresentar o texto escrito: escrever a parlenda em cartaz grande, apontar as palavras durante a recitação e chamar a atenção para a correspondência entre fala e escrita.
  • Dramatizar e criar: propor que as crianças inventem movimentos para o texto, criem novas versões ou ilustrem os personagens mencionados.
  • Comparar parlendas: apresentar dois ou três textos com estruturas similares e discutir semelhanças e diferenças, desenvolvendo o pensamento comparativo.

Nessa faixa etária, as parlendas também funcionam como excelente ponto de partida para projetos temáticos. Um texto sobre animais pode abrir caminho para uma investigação sobre as espécies mencionadas; outro sobre o cotidiano pode gerar conversas sobre rotinas familiares e a construção da identidade na Educação Infantil.

Roteiro de plano de aula com parlendas: objetivos, desenvolvimento e avaliação

Um plano de aula bem estruturado é fundamental para garantir que o trabalho com parlendas tenha intencionalidade pedagógica clara. Veja um roteiro aplicável a turmas de 4 e 5 anos:

Tema: Parlenda “Uni duni tê”
Duração: 50 minutos
Faixa etária: 4 a 5 anos

Objetivos:

  • Conhecer e memorizar a parlenda “Uni duni tê”;
  • Identificar palavras que rimam dentro do texto;
  • Participar de brincadeira coletiva utilizando a parlenda como recurso de escolha;
  • Reconhecer a função social da parlenda em jogos e brincadeiras.

Desenvolvimento:

  1. Aquecimento (10 min): Roda de conversa sobre brincadeiras de escolha — como as crianças decidem quem começa um jogo. Levantamento dos conhecimentos prévios sobre parlendas que já conhecem.
  2. Apresentação (10 min): O professor recita a parlenda com ritmo marcado e gestos. Em seguida, convida as crianças a repetirem juntas, verso a verso.
  3. Exploração fonológica (10 min): Identificação das rimas (tê/minguê, por exemplo), palmas no ritmo e contagem de quantas vezes determinada sílaba aparece.
  4. Brincadeira prática (15 min): As crianças formam uma roda e utilizam a parlenda para escolher quem realizará uma tarefa ou iniciará uma brincadeira, vivenciando sua função social real.
  5. Registro (5 min): Desenho livre sobre a brincadeira realizada, com escrita do nome pela própria criança.

Avaliação: Observação da participação oral, da capacidade de identificar rimas e do engajamento na brincadeira coletiva. Registro no diário de classe com anotações sobre o desempenho individual e coletivo.

3 propostas de atividades com parlendas para aplicar em sala de aula

A seguir, três propostas detalhadas que combinam ludicidade, intencionalidade pedagógica e progressão de complexidade. Cada uma pode ser adaptada conforme a faixa etária e o contexto da turma.

Atividade 1: Roda cantada e dramatização com parlendas

Objetivo principal: Desenvolver expressão corporal, memória oral e interação social por meio da dramatização de parlendas.

Materiais necessários: Espaço amplo (pátio ou sala organizada em roda), figurinos simples ou adereços opcionais (chapéu, lenço, objetos temáticos).

Desenvolvimento: O professor inicia recitando a parlenda escolhida — sugestão: “Hoje é domingo, pé de cachimbo” — com entonação expressiva e gestos marcados. As crianças são convidadas a repetir em coro, primeiro sentadas, depois em pé. Na segunda etapa, o grupo cria coletivamente movimentos para cada verso: o que o corpo faz quando diz “pé de cachimbo”? E “o cachimbo é de barro”? Essa negociação coletiva já é, em si, uma experiência rica de linguagem oral e cooperação.

Na terceira etapa, pequenos grupos dramatizam o texto para os colegas, com liberdade para incluir adereços e criar personagens. O professor registra com fotos ou vídeo curto para posterior discussão e documentação pedagógica. A atividade encerra com uma roda de conversa sobre o que cada grupo criou, estimulando a verbalização de escolhas e a escuta respeitosa.

Variação para bebês e crianças de 2-3 anos: O professor dramatiza sozinho, com fantoche ou boneco, enquanto as crianças observam e são convidadas a imitar gestos simples. A participação é espontânea, nunca forçada.

Atividade 2: Livro interativo e ilustração de parlendas pelas crianças

Objetivo principal: Ampliar o contato com a linguagem escrita, desenvolver a expressão plástica e criar um produto cultural coletivo.

Materiais necessários: Folhas A4 ou A3, lápis de cor, giz de cera, tinta, cola, tesoura com ponta arredondada, encadernação simples (grampos ou barbante).

Desenvolvimento: Após explorar oralmente uma parlenda durante alguns dias — memorização, investigação fonológica, brincadeiras —, o professor propõe a criação de um livro ilustrado coletivo. Cada criança recebe uma folha com um verso escrito em letra bastão grande e clara. A tarefa é ilustrar aquele trecho livremente, com os materiais disponíveis.

O professor circula pela sala conversando com cada criança sobre o que ela está desenhando, fazendo perguntas que aprofundam a compreensão do texto: “O que acontece nesse verso?”, “Quem está aqui?”, “Como você imaginou esse lugar?”. Essas trocas são oportunidades de avaliação formativa e de ampliação do vocabulário.

Ao final, as folhas são reunidas na ordem dos versos e encadernadas. O livro é lido coletivamente, com cada criança apresentando sua página. O produto pode ser exposto na biblioteca da sala, levado para casa em sistema de rodízio ou digitalizado e compartilhado com as famílias. Essa proposta conecta-se diretamente à criação de mini histórias na Educação Infantil, ampliando o repertório narrativo das crianças.

Atividade 3: Sequência de 5 dias de atividades com uma mesma parlenda

Trabalhar o mesmo texto durante uma semana inteira permite aprofundamento progressivo e consolidação real do aprendizado. Veja uma sequência estruturada:

Parlenda sugerida: “Serra, serra, serrador / Quantas tábuas tem o senhor? / Tem dez, tem vinte, tem trinta / Tem quarenta, tem cinquenta”

Dia 1 — Apresentação e imersão: O professor apresenta a parlenda com ritmo marcado e gestos. As crianças escutam e depois repetem em coro. Brincadeira em duplas com o movimento de serrar (mãos dadas, braços movendo-se para frente e para trás no ritmo do texto). Objetivo: contato inicial, prazer e memorização espontânea.

Dia 2 — Exploração oral e fonológica: Recitação coletiva. O professor destaca as palavras que rimam (serrador/senhor). Jogo de identificação: o professor recita e para antes da rima, as crianças completam. Contagem das sílabas de palavras-chave. Objetivo: consciência fonológica e atenção ao texto.

Dia 3 — Contato com o texto escrito: A parlenda é apresentada em cartaz grande. O professor aponta as palavras enquanto recita. As crianças identificam palavras conhecidas, letras do próprio nome e termos que aparecem mais de uma vez. Objetivo: relação fala-escrita e familiaridade com o código escrito.

Dia 4 — Criação e expressão: As crianças ilustram a parlenda individualmente ou em pequenos grupos. Proposta de criação de uma nova versão: “Serra, serra, serrador / Quantas [outro objeto] tem o senhor?”. O professor registra as criações orais das crianças. Objetivo: criatividade, autoria e ampliação do vocabulário.

Dia 5 — Socialização e avaliação: Apresentação das ilustrações e das versões criadas pelas crianças. Roda de conversa sobre o que aprenderam ao longo da semana. O professor registra observações individuais para documentação pedagógica. Objetivo: consolidação, socialização e avaliação formativa.

Parlendas e musicalização: como usar ritmo e melodia para potencializar o aprendizado

A dimensão musical das parlendas não é acessória — ela é constitutiva. O ritmo é o que torna esses textos memoráveis, envolventes e funcionais para as crianças. Compreender como explorar essa camada sonora com intencionalidade potencializa enormemente os resultados pedagógicos.

Parlendas cantadas versus faladas: quando e como usar cada abordagem

A distinção entre parlendas cantadas e faladas é relevante para o planejamento pedagógico. Parlendas faladas preservam o ritmo natural da linguagem oral, com ênfase na prosódia — a melodia da fala cotidiana. São especialmente eficazes para desenvolver a consciência fonológica, pois permitem que as crianças percebam com mais clareza as sílabas, as rimas e os sons individuais das palavras. Quando o objetivo é preparar para a alfabetização, recitar o texto de forma falada, com ritmo marcado mas sem melodia fixa, é a abordagem mais indicada.

Parlendas cantadas, por outro lado, adicionam uma camada melódica que intensifica o prazer estético, facilita ainda mais a memorização e cria uma experiência emocional mais rica. São ideais para momentos de acolhida, transições de rotina e atividades de musicalização. Algumas possuem melodias tradicionais amplamente conhecidas; outras podem receber melodias criadas pelo próprio professor ou pelas crianças.

A recomendação prática é alternar as duas abordagens ao longo da semana: nos momentos de exploração fonológica, priorizar a versão falada; nos momentos de brincadeira coletiva e musicalização, usar a versão cantada. Essa alternância mantém o engajamento e explora diferentes dimensões do texto.

Instrumentos simples e recursos sonoros para acompanhar parlendas em sala

Não é necessário ter formação musical específica para enriquecer o trabalho com parlendas por meio de sons. Instrumentos de percussão simples e recursos do próprio corpo são suficientes para criar experiências musicais significativas:

  • Palmas: o recurso mais acessível e eficaz. Bater palmas no ritmo do texto desenvolve a pulsação e a coordenação motora ao mesmo tempo.
  • Pandeiro e chocalho: instrumentos de percussão fáceis de manusear por crianças pequenas, que podem acompanhar a recitação marcando o tempo.
  • Bastões de ritmo: dois bastões de madeira batidos um no outro produzem um som limpo e cadenciado, excelente para marcar as sílabas tônicas.
  • Sons corporais: estalos de dedos, bater nas coxas, pisar no chão — o corpo como instrumento é uma experiência rica e completamente acessível.
  • Instrumentos construídos pelas crianças: garrafas PET com areia ou feijão, latas com tampas, caixinhas de papelão com material interno — a própria construção já é uma atividade pedagógica valiosa.

Uma estratégia eficaz é dividir a turma em grupos: um recita a parlenda, outro marca o ritmo com palmas, um terceiro usa instrumentos de percussão. Essa organização desenvolve a escuta coletiva, a atenção ao grupo e a sincronização — habilidades essenciais tanto para a musicalização quanto para a vida social.

13 dicas para usar parlendas na alfabetização e no desenvolvimento da consciência fonológica

A consciência fonológica — capacidade de perceber e manipular os sons da língua — é um dos preditores mais robustos do sucesso na alfabetização. Com sua riqueza rítmica e sonora, as parlendas são ferramentas privilegiadas para desenvolver essa habilidade. Confira 13 dicas práticas e aplicáveis:

  1. Identificar rimas: após recitar o texto, pergunte quais palavras “terminam igual”. É a forma mais simples de introduzir a consciência de rima.
  2. Completar rimas: recite a parlenda e pare antes da palavra que rima, deixando a criança completar. Aumenta a atenção e consolida o padrão sonoro.
  3. Contar sílabas: escolha palavras do texto e peça para as crianças baterem palmas contando as sílabas. Comece com monossílabas e aumente a complexidade gradualmente.
  4. Identificar aliterações: destaque palavras que começam com o mesmo som (“Serra, serrador”) e proponha que as crianças encontrem outras com aquele som inicial.
  5. Substituir fonemas: troque a letra inicial de palavras da parlenda e veja que nova palavra se forma. Essa manipulação consciente de fonemas é altamente eficaz para a alfabetização.
  6. Segmentar palavras: peça que as crianças digam a parlenda “devagar, separando cada pedacinho”, desenvolvendo a consciência silábica.
  7. Criar novas parlendas: proponha que as crianças inventem versões com as mesmas rimas mas palavras diferentes, exercitando a produção fonológica consciente.
  8. Jogo do “intruso”: apresente três palavras da parlenda e uma que não rima, pedindo que identifiquem qual não pertence ao grupo.
  9. Mapear palavras no texto escrito: com o cartaz exposto, peça que as crianças apontem onde está determinada palavra que você pronuncia.
  10. Contar palavras em um verso: recite um verso lentamente e peça que as crianças levantem um dedo para cada palavra, desenvolvendo a consciência de palavra.
  11. Explorar palavras longas e curtas: identifique no texto qual é a palavra mais longa e a mais curta, associando extensão sonora à extensão visual na escrita.
  12. Registrar em fichas individuais: cada criança recebe uma ficha com a parlenda escrita e destaca (com lápis colorido) as palavras que rimam ou as sílabas que se repetem.
  13. Criar jogos de memória com rimas: pares de cartinhas com palavras que rimam, extraídas dos textos trabalhados. O jogo reforça a consciência de rima de forma autônoma.

Explorando rimas, aliterações e ritmo para preparar a criança para a leitura

A preparação para a leitura não começa com o contato direto com letras — começa com a percepção dos sons da língua. Quando uma criança percebe que “tê” e “minguê” rimam, ela está, na prática, identificando que essas palavras compartilham uma sequência de fonemas no final. Esse reconhecimento é um passo cognitivo fundamental para compreender que letras representam sons.

As aliterações — repetição de sons iniciais, como em “serra, serrador” — desenvolvem a sensibilidade ao fonema inicial das palavras, habilidade diretamente ligada ao processo de decodificação na leitura. O ritmo, por sua vez, treina a segmentação silábica de forma implícita e prazerosa, muito antes de qualquer instrução formal sobre sílabas.

O professor que explora essas dimensões com intencionalidade realiza um trabalho de preparação fonológica que tornará a alfabetização formal significativamente mais acessível e menos traumática. A ludicidade das parlendas garante que esse processo seja vivenciado com prazer, sem a pressão que frequentemente acompanha as atividades de alfabetização.

Como registrar e expor parlendas na sala de aula para ampliar o contato com a escrita

O ambiente alfabetizador — conceito amplamente reconhecido na pedagogia da Educação Infantil — pressupõe que a sala de aula seja um espaço rico em textos escritos com os quais as crianças interagem cotidianamente. As parlendas são excelentes para compor esse ambiente, pois as crianças já as conhecem oralmente e ficam motivadas a encontrar na escrita aquilo que sabem de cor.

Estratégias práticas de exposição e registro incluem:

  • Cartazes de parlendas: escritos em letra bastão grande, com ilustrações que auxiliem na compreensão, afixados na altura visual das crianças. O professor aponta as palavras durante a recitação coletiva.
  • Varal de parlendas: tiras de papel com versos individuais penduradas em um varal na sala, permitindo que as crianças as reorganizem e interajam fisicamente com o texto.
  • Caderno ou portfólio de parlendas: cada criança possui um caderno onde os textos trabalhados são colados ou copiados (conforme a faixa etária), com espaço para ilustração e comentários.
  • Livro de parlendas da turma: ao longo do ano, os textos explorados são reunidos em um livro coletivo, que se torna um documento da trajetória do grupo.
  • QR codes

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