O que é folclore educação infantil

O folclore na educação infantil é muito mais que histórias e lendas do passado: é uma ferramenta pedagógica poderosa que conecta as crianças com a cultura, identidade e tradições do seu povo. Através de contos populares, brincadeiras tradicionais, músicas e danças folclóricas, os pequenos aprendem sobre valores, costumes e a riqueza cultural brasileira de forma lúdica e envolvente, desenvolvendo ao mesmo tempo consciência social e respeito pela diversidade.

Na educação infantil, o folclore funciona como um ponte entre o aprendizado formal e o desenvolvimento integral da criança. Quando uma escola trabalha com lendas indígenas, parlendas, cordel e festas populares, está estimulando a imaginação, a linguagem oral, a motricidade e as habilidades socioemocionais dos alunos. Essas experiências culturais contribuem para formar crianças mais criativas, empáticas e enraizadas na sua própria identidade.

O Colégio Itatiaia reconhece a importância dessa dimensão cultural e integra elementos do folclore brasileiro em sua proposta pedagógica humanizada, proporcionando às crianças vivências autênticas que combinam brincadeira, aprendizado e valorização das tradições. Dessa forma, a educação infantil transcende a sala de aula e se torna uma experiência rica de descoberta e pertencimento.

O que é Folclore: Definição Clara para Educação Infantil

O folclore reúne saberes, crenças, costumes, histórias, músicas, danças e práticas culturais transmitidos de geração em geração dentro de uma comunidade. Ele representa a memória viva de um povo, preservando valores, medos, sonhos e modos de enxergar o mundo que atravessam séculos sem perder relevância. Na educação infantil, entender o que é folclore significa abrir uma janela para a identidade cultural das crianças, conectando-as às raízes do lugar onde vivem e às experiências coletivas que sustentam a sociedade brasileira.

Origem da Palavra Folclore e Seu Significado

A palavra folclore tem origem inglesa: une os termos folk (povo, gente comum) e lore (saber, conhecimento, tradição). O termo foi cunhado em 1846 pelo arqueólogo britânico William John Thoms, que o empregou pela primeira vez em uma carta publicada na revista The Athenaeum. Thoms queria nomear os costumes, tradições e superstições das classes populares que, até então, não tinham uma denominação científica unificada.

No Brasil, a expressão foi adotada no final do século XIX e rapidamente ganhou força entre pesquisadores que perceberam a riqueza das manifestações culturais brasileiras — uma mistura singular de influências indígenas, africanas e europeias. Hoje, a palavra é reconhecida mundialmente e integra os currículos escolares de diversos países como um campo legítimo de estudo e preservação cultural. Para as crianças, explicar essa etimologia de forma acessível é o primeiro passo: folclore é o saber do povo, aquilo que as pessoas aprendem umas com as outras ao longo do tempo, sem precisar de livros ou instituições formais para que esse conhecimento exista e se perpetue.

Características Essenciais do Folclore (Oralidade, Anonimato, Tradição e Popularidade)

Para que uma manifestação cultural seja classificada como folclórica, ela precisa apresentar alguns traços fundamentais que a distinguem de outras formas de expressão artística ou cultural:

  • Oralidade: o folclore nasce e se propaga pela fala, pelo canto e pela contação de histórias. Antes de ser registrado em livros, circula de boca em boca, de avó para neto, de vizinho para vizinho. Essa característica é especialmente relevante na educação infantil, pois se alinha ao modo natural como as crianças aprendem nas primeiras etapas da vida.
  • Anonimato: diferentemente de uma obra literária ou musical com autor identificado, as manifestações folclóricas pertencem ao coletivo. Ninguém sabe ao certo quem criou a lenda do Saci-Pererê ou quem compôs originalmente a cantiga “Ciranda, Cirandinha”. A autoria se dilui na comunidade que a transmite.
  • Tradição: o folclore carrega marcas históricas e culturais profundas. Não é algo criado ontem; é o resultado de um longo processo de acumulação e reinterpretação de práticas que resistiram ao tempo porque faziam sentido para aquela comunidade.
  • Popularidade: o folclore pertence ao povo — não a uma elite intelectual ou artística. Surge das camadas populares, é praticado por pessoas comuns e se mantém vivo justamente porque é acessível, compartilhável e significativo para grupos amplos da sociedade.
  • Variação regional: uma mesma lenda ou brincadeira pode apresentar versões distintas dependendo da região do Brasil. Essa plasticidade é uma riqueza, pois evidencia como o folclore se adapta à realidade local sem perder sua essência.

Trabalhar essas características com crianças pequenas não exige linguagem técnica. Basta mostrar, na prática, que existem histórias que “todo mundo conhece, mas ninguém sabe quem inventou” — e esse mistério, por si só, já desperta a curiosidade e o encantamento tão presentes na infância.

Por que Trabalhar Folclore na Educação Infantil?

Incluir o folclore no cotidiano pedagógico vai muito além de celebrar o Dia do Folclore em agosto. Trata-se de uma escolha metodológica fundamentada, que conecta o desenvolvimento integral da criança à sua herança cultural, promovendo aprendizagens em múltiplas dimensões — cognitiva, emocional, social e linguística — de forma lúdica e significativa.

Benefícios do Folclore para o Desenvolvimento Cognitivo e Cultural da Criança

O contato sistemático com o folclore na primeira infância oferece ganhos concretos para o desenvolvimento infantil. Do ponto de vista cognitivo, as lendas e narrativas folclóricas estimulam a memória, a imaginação e o pensamento narrativo. Ao ouvir e recontar histórias do Curupira ou da Iara, a criança exercita a sequência lógica, a causalidade e a capacidade de criar imagens mentais — habilidades fundamentais para a alfabetização futura.

As cantigas de roda e brincadeiras tradicionais desenvolvem a coordenação motora, o ritmo, a lateralidade e a consciência corporal. Ao mesmo tempo, favorecem a socialização, a cooperação e o respeito às regras — competências essenciais para a vida em grupo. O folclore também é um veículo poderoso para a construção da identidade cultural: a criança que conhece as histórias, músicas e personagens do seu povo desenvolve um senso de pertencimento que fortalece sua autoestima e sua relação com o mundo.

Do ponto de vista linguístico, rimas, trava-línguas, parlendas e cantigas folclóricas são ferramentas valiosas para o desenvolvimento da consciência fonológica — a percepção dos sons da língua —, que figura entre os principais preditores do sucesso na alfabetização. Crianças expostas regularmente a essas manifestações ampliam vocabulário, entonação e fluência oral de maneira natural e prazerosa.

O folclore também favorece o desenvolvimento socioemocional das crianças, pois muitas narrativas abordam temas como medo, coragem, respeito à natureza, limites e consequências das ações — conteúdos emocionalmente relevantes que, quando trabalhados com mediação adequada, ajudam os pequenos a nomear e compreender suas próprias emoções.

O que Dizem os Professores e Pesquisadores sobre o Ensino do Folclore na Infância

A pesquisa educacional brasileira tem reafirmado, ao longo das últimas décadas, a importância do folclore como conteúdo e metodologia na educação infantil. Estudiosos como Câmara Cascudo, considerado o maior folclorista do país, dedicaram décadas a catalogar e interpretar as manifestações culturais populares brasileiras, reconhecendo nelas um patrimônio imaterial de valor inestimável para a formação da identidade nacional.

Na perspectiva pedagógica, autores como Paulo Freire já apontavam que uma educação verdadeiramente significativa precisa partir da realidade e da cultura do educando. O folclore, nesse sentido, é um ponto de partida natural: já faz parte do universo das crianças, seja pelas histórias contadas por avós, pelas músicas ouvidas em festas juninas ou pelos personagens que aparecem em livros e programas infantis.

Professores que desenvolvem projetos folclóricos com regularidade relatam maior engajamento das turmas, especialmente porque o tema permite integrar diferentes linguagens — corporal, musical, visual, oral — em uma única proposta pedagógica. Isso dialoga com a perspectiva das múltiplas inteligências e das metodologias ativas, que reconhecem que cada criança aprende de forma diferente e que a diversidade de abordagens potencializa o aprendizado. Além disso, esse tipo de trabalho abre espaço para o desenvolvimento de habilidades sociais fundamentais, como escuta ativa, respeito às diferenças e colaboração coletiva.

Principais Elementos do Folclore Brasileiro para Trabalhar com Crianças

O folclore brasileiro é extraordinariamente rico e diversificado, refletindo a pluralidade étnica e cultural do país. Para a educação infantil, é importante selecionar elementos acessíveis à faixa etária, visualmente estimulantes, emocionalmente seguros e pedagogicamente produtivos. A seguir, os principais grupos de manifestações folclóricas que funcionam muito bem com crianças pequenas.

Lendas do Folclore Brasileiro: Saci, Curupira, Iara e Outros Personagens

As lendas folclóricas são narrativas que mesclam elementos reais e fantásticos para explicar fenômenos da natureza, transmitir valores morais ou expressar os medos e esperanças de um povo. Para as crianças, funcionam como histórias mágicas que aguçam a imaginação e a curiosidade. Os personagens mais trabalhados na educação infantil incluem:

  • Saci-Pererê: menino negro, de uma perna só, que usa um gorro vermelho e adora pregar peças. Representa a esperteza e a malandragem do povo brasileiro. Sua origem remonta às tradições indígenas e africanas.
  • Curupira: ser da floresta com pés virados para trás, que protege os animais e a natureza punindo caçadores predatórios. É um excelente ponto de partida para discutir preservação ambiental com as crianças.
  • Iara (ou Uiara): sereia da mitologia indígena brasileira, mulher de grande beleza que habita as águas e encanta os homens com seu canto. Permite trabalhar temas como o respeito à natureza aquática e os mistérios do mundo natural.
  • Boto-cor-de-rosa: lenda amazônica de um boto que se transforma em homem bonito durante as festas juninas para seduzir as moças. Mais adequado para crianças maiores, pode ser apresentado de forma simplificada.
  • Cuca: personagem assustador, geralmente representado como uma bruxa ou jacaré, que aparece em canções de ninar como ameaça às crianças que não dormem. Presente na cultura popular desde o período colonial.
  • Mula-sem-cabeça e Lobisomem: lendas de origem europeia adaptadas ao contexto brasileiro, mais indicadas para crianças a partir de 5 anos, sempre com mediação cuidadosa do professor para evitar traumas desnecessários.

Ao trabalhar com lendas, é fundamental que o professor faça a mediação adequada, especialmente com personagens mais assustadores. A proposta não é provocar medo, mas estimular o pensamento crítico, a imaginação e a compreensão de que essas histórias carregam mensagens culturais importantes sobre os valores de um povo.

Músicas, Cantigas de Roda e Brincadeiras Folclóricas Tradicionais

As cantigas de roda e brincadeiras folclóricas são, provavelmente, os elementos mais facilmente integráveis ao cotidiano da educação infantil. Elas combinam movimento, música, linguagem e interação social em uma única atividade, tornando-se instrumentos pedagógicos de altíssimo valor.

Entre as cantigas de roda mais conhecidas estão: Ciranda, Cirandinha; A Canoa Virou; Atirei o Pau no Gato; Sambalelê; Escravos de Jó; Capelinha de Melão; Se Essa Rua Fosse Minha e Fui no Itororó. Cada uma delas carrega uma estrutura rítmica própria, vocabulário específico e movimentos corporais que desenvolvem coordenação, lateralidade e percepção espacial.

As brincadeiras tradicionais também merecem destaque:

  • Amarelinha: desenvolve equilíbrio, coordenação motora e noção de número.
  • Pular corda: estimula ritmo, coordenação e trabalho em equipe.
  • Passa-anel e Coelhinho Sai da Toca: trabalham atenção, reflexo e socialização.
  • Peteca e Bilboquê: jogos de origem indígena que desenvolvem motricidade fina e grossa.
  • Cabo de guerra: promove cooperação, força e estratégia coletiva.
  • Trava-línguas e parlendas: “O rato roeu a roupa do rei de Roma”, “Hoje é domingo, pé de cachimbo” — excelentes para o desenvolvimento da consciência fonológica e da fluência oral.

Essas atividades, além de divertidas, são profundamente formativas. Ensinam às crianças que brincar juntos exige regras, respeito e colaboração — valores que estão na base de qualquer convivência saudável em grupo.

Danças, Festas Populares e Artesanato como Expressões do Folclore

O folclore brasileiro também se manifesta por meio de danças típicas, festas populares e produção artesanal que refletem a diversidade regional do país. Na educação infantil, essas expressões oferecem oportunidades ricas de exploração sensorial, expressão corporal e reconhecimento da pluralidade cultural.

Entre as danças folclóricas mais trabalhadas na escola estão o forró, o baião, a quadrilha junina, o frevo, o bumba-meu-boi, o maracatu e o carimbó. Cada uma pertence a uma região específica do Brasil e carrega características musicais, coreográficas e indumentárias próprias. Apresentar essas danças às crianças é uma forma concreta de mostrar que o Brasil é um país imenso e diverso, onde diferentes culturas coexistem e se enriquecem mutuamente.

As festas juninas são, sem dúvida, a manifestação folclórica mais celebrada nas escolas brasileiras. Além da quadrilha, incluem comidas típicas (pamonha, canjica, milho assado, quentão), decoração com bandeirinhas e balões, e personagens como o noivado caipira. Trabalhar a festa junina na escola vai além da celebração: é uma oportunidade de discutir origem, significado e diversidade cultural.

O artesanato folclórico — bordados, cerâmica, rendas, bonecos de pano, máscaras, instrumentos musicais artesanais — é outro campo fértil para a educação infantil. Atividades de produção artesanal inspiradas no folclore desenvolvem a motricidade fina, a criatividade e a expressão artística, além de criar um vínculo afetivo com a cultura material do povo brasileiro.

Como Ensinar Folclore na Educação Infantil: Dicas Práticas e Planejamento

Ensinar folclore na educação infantil de forma eficaz requer mais do que reproduzir atividades prontas. É preciso um planejamento intencional que considere a faixa etária, os objetivos de aprendizagem e as múltiplas linguagens pelas quais as crianças pequenas se expressam e compreendem o mundo. A seguir, orientações práticas para professores e coordenadores pedagógicos.

Atividades Lúdicas e Projetos Pedagógicos sobre Folclore para Maternal e Pré-Escola

As propostas folclóricas devem ser planejadas de acordo com a faixa etária. Para o maternal (2 a 3 anos), o foco deve recair sobre experiências sensoriais e corporais: cantigas de roda simples, movimentos rítmicos, exploração de instrumentos musicais artesanais e contato com imagens coloridas dos personagens folclóricos. Nessa fase, a repetição é uma aliada — cantar a mesma cantiga várias vezes ao longo da semana consolida o aprendizado e cria segurança emocional.

Para a pré-escola (4 a 5 anos), as possibilidades se ampliam consideravelmente:

  • Contação de histórias com fantoches ou teatrinho de sombras sobre as lendas folclóricas
  • Produção de desenhos, pinturas e colagens inspirados nos personagens
  • Confecção de máscaras, chapéus e fantasias simples para dramatizações
  • Rodas de conversa sobre as histórias ouvidas, estimulando a expressão oral e o pensamento crítico
  • Brincadeiras de roda e jogos folclóricos no pátio ou na sala
  • Culinária pedagógica com receitas de comidas típicas (pipoca, bolo de milho)
  • Confecção de instrumentos musicais artesanais (chocalho com garrafinha e areia, tambor com lata)
  • Exposição de artesanato folclórico para exploração sensorial

Projetos pedagógicos temáticos — que integram o folclore a outras áreas do conhecimento como matemática, linguagem, ciências e artes — são especialmente eficazes porque criam contextos de aprendizagem significativos. Um projeto sobre o Curupira, por exemplo, pode incluir contação de história, discussão sobre preservação ambiental, produção artística, música e até uma visita a um espaço verde. Essa abordagem integrada é coerente com a proposta da BNCC para a educação infantil, que valoriza os campos de experiência em detrimento de disciplinas isoladas.

Trabalhar o folclore também é uma oportunidade para desenvolver identidade e autonomia na educação infantil, pois as crianças são convidadas a fazer escolhas, expressar opiniões sobre as histórias e criar suas próprias versões dos personagens e narrativas.

Como Montar um Planejamento Diário com Tema Folclore (Exemplo Prático)

Um planejamento diário com tema folclore deve ser organizado em momentos encadeados que criem uma experiência de aprendizagem coesa. Veja um exemplo prático para uma turma de pré-escola (4 a 5 anos), com duração de aproximadamente 4 horas:

  1. Acolhida (15 min): Cantar uma cantiga de roda folclórica como forma de iniciar o dia. “Escravos de Jó” ou “A Canoa Virou” são ótimas opções. Além de criar um ritual de entrada, desenvolvem ritmo e memória.
  2. Roda de conversa (20 min): Apresentar o personagem do dia (ex: Saci-Pererê) com uma imagem grande e colorida. Perguntar às crianças o que já sabem sobre ele, estimulando a fala e a escuta ativa.
  3. Contação de história (20 min): Narrar a lenda do Saci com recursos visuais — fantoches, livro ilustrado ou projeção de imagens. Usar entonação variada, pausas dramáticas e envolvimento corporal.
  4. Atividade artística (40 min): Produção de um Saci com materiais de sucata (rolinhos de papel, tampinhas, tecido). Estimula a motricidade fina, a criatividade e a expressão artística.
  5. Momento ao ar livre (30 min): Brincadeira folclórica no pátio — amarelinha ou pular corda. Integra o conteúdo trabalhado à atividade física e à socialização.
  6. Roda de encerramento (15 min): Retomar o que foi aprendido com perguntas simples: “Quem é o Saci? O que ele faz? De onde vem essa história?” Registrar as falas das crianças como forma de documentação pedagógica.

Esse modelo pode ser adaptado para qualquer personagem ou manifestação folclórica, mantendo a estrutura de apresentação, exploração e expressão. O essencial é que cada momento tenha intencionalidade pedagógica clara e que as crianças sejam protagonistas ativas do processo.

Recursos Visuais, Vídeos e Materiais de Apoio para Sala de Aula

A qualidade dos recursos utilizados impacta diretamente o engajamento das crianças. Para o trabalho com folclore na educação infantil, os seguintes materiais são especialmente recomendados:

  • Livros ilustrados: obras como “O Saci” de Monteiro Lobato (adaptações infantis), “Lendas Brasileiras” de Ricardo Azevedo e a coleção “Bichos do Brasil” são referências de qualidade para a biblioteca da sala.
  • Vídeos e animações: o canal do YouTube “TV Escola” e a plataforma “Conta pra mim” (MEC) oferecem animações e contações de histórias folclóricas gratuitas e de qualidade. Séries como “Sítio do Picapau Amarelo” (versões animadas) também são recursos válidos.
  • Fantoches e bonecos: personagens folclóricos em fantoche permitem que as próprias crianças renarrem as histórias, desenvolvendo linguagem oral, sequência narrativa e criatividade.
  • Painéis e murais: criar um mural coletivo com os personagens estudados ao longo do mês transforma o ambiente da sala em um espaço de aprendizagem ativo. Os espaços escolares como ambientes de aprendizagem têm papel fundamental na consolidação dos conteúdos trabalhados.
  • Instrumentos musicais artesanais: pandeiro, chocalho, tambor e triângulo estão presentes em diversas manifestações folclóricas e podem ser explorados pelas crianças durante as atividades musicais.
  • Fichas de personagens: cartões com imagem e nome dos personagens folclóricos servem como material de referência e podem ser usados em jogos de memória e de associação.

Dia do Folclore (22 de Agosto): Como Celebrar na Educação Infantil

O Dia do Folclore é comemorado no Brasil em 22 de agosto, data escolhida em homenagem à carta publicada por William John Thoms em 1846, que originou o termo. No contexto escolar, essa data é uma oportunidade valiosa para celebrar a cultura popular brasileira de forma festiva, mas também pedagógica — transformando a comemoração em um momento de aprendizagem genuíno, e não apenas em uma apresentação superficial.

Ideias de Decoração, Apresentações e Atividades para o Dia do Folclore

A decoração da escola para o Dia do Folclore deve ser, sempre que possível, construída com e pelas crianças ao longo das semanas que antecedem a data. Isso gera um senso de pertencimento e orgulho muito maior do que uma decoração montada pelos adultos na véspera. Algumas ideias práticas:

  • Painel coletivo com os personagens folclóricos desenhados e pintados pelas turmas
  • Varal de bandeirinhas coloridas confeccionadas pelas crianças
  • Exposição de artesanato produzido durante o projeto (bonecos, máscaras, instrumentos)
  • Cenários fotográficos temáticos (floresta do Curupira, rio da Iara, redemoinho do Saci)
  • Cantinho de leitura com livros de lendas e folclore disponíveis para exploração livre

Para as apresentações, o foco deve estar na participação das crianças, não na perfeição técnica. Peças de teatro simples com os personagens folclóricos, cantigas de roda para os pais, danças como a quadrilha e o frevo, e recitação de trava-línguas e parlendas são formatos acessíveis e emocionalmente significativos para as famílias.

As atividades do dia podem incluir estações temáticas que as turmas percorrem em rodízio: estação de contação de histórias, estação de brincadeiras tradicionais, estação de artesanato, estação de culinária típica e estação musical. Esse formato dinâmico mantém as crianças engajadas e permite que vivenciem múltiplas dimensões do folclore em um único evento.

Sugestões de Projetos Temáticos para a Semana do Folclore

Em vez de concentrar tudo em um único dia, muitas escolas optam por realizar uma Semana do Folclore, distribuindo os conteúdos ao longo de cinco dias com um tema diferente a cada dia. Esse formato permite maior aprofundamento e evita a sobrecarga de um único evento. Uma sugestão de organização temática:

  1. Segunda-feira — Lendas e Personagens: foco nas narrativas folclóricas, contação de lendas, produção artística dos personagens e roda de conversa sobre as histórias.
  2. Terça-feira — Músicas e Cantigas: exploração das cantigas de roda, aprendizado de novas músicas folclóricas, confecção de instrumentos musicais artesanais e apresentação musical.
  3. Quarta-feira — Brincadeiras e Jogos: dia dedicado às brincadeiras tradicionais no pátio — amarelinha, pular corda, passa-anel, coelhinho sai da toca. Ênfase na cooperação e nas regras compartilhadas.
  4. Quinta-feira — Danças e Festas Populares: apresentação e prática de danças folclóricas regionais, exploração das festas populares brasileiras (junina, carnaval, bumba-meu-boi), culinária típica.
  5. Sexta-feira — Artesanato e Celebração: finalização dos projetos artesanais, montagem da exposição para as famílias e apresentação coletiva das aprendizagens da semana.

Esse modelo de semana temática é coerente com uma proposta pedagógica que valoriza a autonomia infantil, pois ao longo dos dias as crianças vão construindo repertório, fazendo escolhas e protagonizando suas próprias aprendizagens. A participação das famílias — seja trazendo objetos artesanais de casa, compartilhando histórias folclóricas que conhecem ou acompanhando as apresentações — enriquece ainda mais o projeto e fortalece o vínculo entre escola e comunidade.

FAQ

O que é folclore de forma simples para explicar às crianças?

Folclore é o conjunto de histórias, músicas, brincadeiras, danças e costumes que um povo cria e transmite de geração em geração, sem que ninguém saiba exatamente quem inventou cada um desses elementos.

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