O Setembro Amarelo é um movimento importante que chega às escolas com o objetivo de promover a saúde mental e emocional desde a infância. Saber como trabalhar setembro amarelo na educação infantil vai muito além de atividades pontuais: é uma oportunidade de criar um ambiente acolhedor onde as crianças aprendem a reconhecer e expressar suas emoções de forma saudável. No Colégio Itatiaia, acreditamos que essa abordagem se alinha perfeitamente com nossa proposta pedagógica humanizada, que coloca o desenvolvimento socioemocional no centro da aprendizagem.
Implementar ações de prevenção e conscientização nessa faixa etária requer sensibilidade e criatividade. Desde brincadeiras que exploram sentimentos até conversas adaptadas à idade, passando por decorações significativas e envolvimento das famílias, existem muitas formas de abordar o tema de maneira leve, mas impactante. O desafio está em transformar setembro amarelo em um aprendizado contínuo, não apenas em uma campanha do mês.
Neste guia, você descobrirá estratégias práticas e eficazes para trabalhar saúde mental na educação infantil, mantendo a leveza característica dessa fase enquanto constrói bases emocionais sólidas para o desenvolvimento integral das crianças.
O que é o Setembro Amarelo e por que ele importa na Educação Infantil
Origem e significado do movimento Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo é a campanha nacional de prevenção ao suicídio, realizada anualmente durante todo o mês de setembro. O movimento surgiu em 2015 no Brasil, idealizado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), com o propósito de ampliar o debate sobre saúde mental, reduzir o estigma em torno do sofrimento psíquico e preservar vidas por meio da informação e do acolhimento.
A cor amarela foi escolhida em homenagem a Mike Emme, um jovem americano que tirou a própria vida em 1994 e cujo carro favorito era dessa tonalidade. Seus amigos distribuíram fitas douradas no funeral como símbolo de esperança, e essa imagem se transformou em um dos ícones mais reconhecidos da luta pela saúde mental no mundo. No Brasil, o laço amarelo passou a representar a valorização da vida, o acolhimento e a abertura ao diálogo.
Embora a campanha tenha nascido com foco na prevenção entre adolescentes e adultos, sua abrangência foi se expandindo naturalmente para outros contextos — inclusive para as escolas de Educação Infantil. Isso porque a prevenção eficaz começa muito antes de qualquer crise: começa na construção de vínculos seguros, na capacidade de nomear emoções e na cultura do acolhimento, elementos que precisam ser cultivados desde os primeiros anos de vida.
Por que abordar saúde mental e emoções desde a primeira infância
A primeira infância — período que vai do nascimento aos seis anos — é a fase de maior plasticidade cerebral da vida humana. É nesse momento que se formam as bases neurológicas para a regulação emocional, a empatia, a resiliência e a capacidade de estabelecer vínculos saudáveis. Negligenciar a saúde mental nessa etapa significa perder a janela de oportunidade mais poderosa para prevenir sofrimento psíquico ao longo de toda a vida.
Crianças pequenas já experimentam emoções intensas — medo, tristeza, raiva, frustração, ciúme — mas ainda não dispõem de vocabulário nem de estratégias para lidar com elas. Quando a escola oferece um ambiente seguro para nomear e expressar esses sentimentos, ela constrói, tijolo a tijolo, a inteligência emocional que vai proteger aquela criança nos anos seguintes. Entender o que é desenvolvimento socioemocional é o primeiro passo para compreender por que esse trabalho precisa começar na Educação Infantil, e não apenas no Ensino Médio.
Além disso, o ambiente escolar é, para muitas crianças, o principal espaço de socialização fora do núcleo familiar. Professores e educadores são figuras de referência afetiva e, por isso, ocupam uma posição estratégica para identificar sinais precoces de sofrimento emocional e para cultivar uma cultura de cuidado, escuta e valorização da vida desde os primeiros anos de escolarização.
Como adaptar o tema Setembro Amarelo para crianças pequenas (2 a 6 anos)
Linguagem adequada: como falar sobre sentimentos sem assustar as crianças
A principal preocupação dos educadores ao trabalhar setembro amarelo na educação infantil é encontrar a linguagem certa — uma que seja honesta, acolhedora e adequada ao desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças entre 2 e 6 anos. A boa notícia é que, nessa faixa etária, o foco não precisa ser — e não deve ser — o suicídio em si. O que importa é a valorização da vida, o reconhecimento das emoções e a cultura do pedir ajuda.
Algumas orientações práticas para a linguagem em sala:
- Use vocabulário simples e concreto: “triste”, “com medo”, “bravo”, “feliz”, “preocupado” são palavras que crianças pequenas conseguem compreender e incorporar ao próprio repertório.
- Evite eufemismos confusos como “foi para um lugar melhor” ou “dormiu para sempre”, que podem gerar ansiedade e interpretações equivocadas.
- Normalize o pedido de ajuda: frases como “quando estou triste, posso pedir ajuda para um adulto de confiança” ensinam uma habilidade protetora fundamental.
- Valide todas as emoções, inclusive as negativas: “é normal sentir raiva” e “todo mundo fica triste às vezes” reduzem a vergonha associada ao sofrimento emocional.
- Use histórias, fantoches, músicas e desenhos como mediadores — a linguagem simbólica é a língua nativa da criança pequena.
O objetivo não é transformar a sala de aula em um consultório de psicologia, mas criar um ambiente onde sentir e falar sobre o que se sente seja algo natural, seguro e bem-vindo.
A importância de nomear e validar as emoções na rotina escolar
Nomear emoções é um ato poderoso. Quando uma criança aprende a dizer “estou com raiva” em vez de morder um colega, ela desenvolve uma habilidade de autorregulação com impacto direto em sua saúde mental ao longo da vida. Esse processo, chamado de labeling emocional, foi amplamente estudado pela neurociência e demonstrou reduzir a atividade da amígdala — região cerebral associada às respostas de medo e estresse.
Na prática escolar, nomear e validar emoções pode acontecer de forma integrada à rotina:
- Termômetro das emoções: um painel fixo na sala com expressões faciais que as crianças consultam ao chegar e ao sair.
- Roda da manhã: um momento breve em que cada criança compartilha como está se sentindo naquele dia.
- Leitura de histórias com pausa reflexiva: o professor pergunta “como você acha que o personagem está se sentindo agora?” durante a leitura.
- Canto do acolhimento: um espaço físico na sala com almofadas e materiais sensoriais onde a criança pode ir quando precisar de uma pausa emocional.
Quando esse trabalho é feito de forma consistente ao longo do ano, o Setembro Amarelo deixa de ser um evento pontual e passa a ser a consolidação de uma cultura escolar já estabelecida. Para aprofundar essa prática, vale conhecer estratégias sobre como ensinar inteligência emocional para crianças de forma integrada ao cotidiano pedagógico.
Plano de Aula completo: Setembro Amarelo na Educação Infantil
Objetivos de aprendizagem alinhados à BNCC
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a Educação Infantil organiza as aprendizagens em cinco campos de experiência. O trabalho com Setembro Amarelo se conecta diretamente a dois deles: “O eu, o outro e o nós” e “Corpo, gestos e movimentos”, além de dialogar com o campo “Traços, sons, cores e formas”.
Os principais objetivos de aprendizagem e desenvolvimento que orientam esse plano de aula são:
- Reconhecer e expressar emoções, sentimentos, necessidades e opiniões em situações cotidianas (EI02EO04 e EI03EO04).
- Demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir (EI03EO03).
- Comunicar ideias e sentimentos a pessoas e grupos diversos (EI03EO06).
- Utilizar diferentes linguagens — verbal, corporal, visual e sonora — para se expressar e partilhar informações (EI03TS02).
- Resolver conflitos nas interações e brincadeiras, com a orientação de um adulto (EI02EO07).
Duração, faixa etária e materiais necessários
Este plano foi estruturado como uma sequência didática de cinco encontros, com duração aproximada de 30 a 40 minutos cada, adequada ao ritmo e à capacidade de concentração de crianças entre 3 e 6 anos. Para turmas de 2 anos, recomenda-se reduzir cada atividade para 20 minutos e ampliar a proporção de recursos sensoriais e musicais.
Faixa etária principal: 3 a 6 anos (Maternal II ao Pré II)
Materiais necessários:
- Livros infantis sobre emoções (sugestões na seção específica deste artigo)
- Cartolina amarela, papel kraft e papel sulfite
- Tinta guache nas cores do arco-íris (especialmente amarelo)
- Giz de cera, lápis de cor e canetinhas
- Fichas com expressões faciais impressas ou desenhadas
- Fantoches ou bonecos de pano
- Aparelho de som ou caixa bluetooth para músicas
- Apostila de atividades impressas (fichas para colorir e completar)
- Fita adesiva colorida amarela para decoração do ambiente
Passo a passo das aulas: sequência didática sugerida
Encontro 1 – “Que cor é o meu sentimento hoje?”
Inicie com a apresentação do termômetro das emoções. Mostre fichas com rostos expressivos e pergunte às crianças como cada personagem está se sentindo. Relacione cada emoção a uma cor (amarelo = alegria e esperança, azul = tristeza, vermelho = raiva, verde = calma). Finalize com cada criança pintando um sol amarelo representando algo que a faz feliz.
Encontro 2 – “As histórias dos nossos sentimentos”
Leia um livro infantil sobre emoções (sugestões abaixo). Faça pausas estratégicas para perguntar como o personagem está se sentindo e o que ele poderia fazer. Após a leitura, proponha que as crianças desenhem um momento em que vivenciaram algo parecido com o personagem.
Encontro 3 – “Pedir ajuda é coisa de valente”
Use fantoches para encenar situações cotidianas em que um personagem está triste, com medo ou com raiva. Pergunte às crianças o que o fantoche poderia fazer. Conduza a conversa para a ideia de que recorrer a um adulto de confiança é sempre uma boa escolha. Encerre com a construção coletiva de um “mural de ajudantes” com os nomes e desenhos de pessoas em quem as crianças confiam.
Encontro 4 – “O painel amarelo da nossa turma”
Proponha a construção do painel coletivo amarelo (detalhado na seção de atividades práticas). Cada criança contribui com uma mão carimbada em tinta amarela e uma frase ditada ao professor sobre algo que ama na vida. O painel fica exposto na escola durante todo o mês de setembro.
Encontro 5 – “Celebrando a vida juntos”
Encerramento com roda de conversa sobre o que as crianças aprenderam nas semanas anteriores. Entrega de um bilhete colorido para os familiares com uma mensagem de afeto escrita ou ditada pela criança. Momento de música e dança livre para celebrar a alegria de estar junto.
Atividades práticas de Setembro Amarelo para Educação Infantil
Roda de conversa sobre sentimentos: como conduzir com crianças pequenas
A roda de conversa é uma das estratégias pedagógicas mais potentes da Educação Infantil e ganha ainda mais relevância quando o tema é saúde emocional. Para conduzi-la com eficácia durante o Setembro Amarelo, o professor precisa criar um ambiente de segurança psicológica — um espaço onde nenhuma emoção é errada e nenhuma fala é ridicularizada.
Dicas para uma roda de conversa produtiva sobre sentimentos:
- Comece por você: o professor compartilha primeiro um sentimento próprio, modelando a vulnerabilidade saudável (“hoje eu me senti um pouco nervoso antes de vir para a escola”).
- Use objetos mediadores: um “microfone” de brinquedo, uma pedra colorida ou um pelúcia pode ser passado de mão em mão, sinalizando que é a vez de quem está segurando.
- Faça perguntas abertas: “O que faz você se sentir muito feliz?”, “Tem alguma coisa que te deixa com medo?”, “O que você faz quando está triste?”
- Valide sem julgar: “Que bom que você me contou isso”, “Faz sentido se sentir assim”, “Obrigado por compartilhar com a gente”.
- Respeite o silêncio: crianças que não queiram falar devem ser acolhidas sem pressão. Participar pelo olhar e pela escuta também é válido.
Atividades de desenho e pintura: expressando emoções com cores
O desenho e a pintura são linguagens privilegiadas da criança pequena — muito antes de dominar a escrita, ela já se comunica pelo traço e pela cor. No contexto do Setembro Amarelo, essas atividades ganham uma dimensão ao mesmo tempo terapêutica e pedagógica.
Sugestões de atividades de expressão visual:
- Autorretrato das emoções: a criança desenha seu próprio rosto expressando como está se sentindo naquele dia, usando as cores que achar adequadas.
- Pintura de emoções com as mãos: cada cor de tinta representa um sentimento. A criança mergulha as mãos e cria composições livres no papel kraft.
- O monstro das cores: inspirado no livro homônimo, as crianças pintam monstros com as cores das emoções que estão vivenciando.
- Girassóis da esperança: cada criança recebe um molde de girassol para pintar de amarelo e escrever (ou ditar) dentro das pétalas algo que ama na vida.
- Tela da turma: uma tela grande compartilhada onde cada criança pinta um elemento que representa alegria, amizade ou acolhimento.
Painel coletivo amarelo: construção colaborativa em sala
O painel coletivo amarelo é uma das atividades mais marcantes do Setembro Amarelo na Educação Infantil porque une expressão individual, construção coletiva e senso de pertencimento. O processo de criação é tão significativo quanto o produto final.
Como construir o painel passo a passo:
- Estenda um papel kraft ou cartolina grande em uma parede acessível às crianças.
- Prepare bandejas com tinta guache amarela, dourada e laranja.
- Cada criança carimba sua mão aberta no painel — o símbolo universal de “estou aqui, faço parte”.
- Ao lado de cada mão, o professor escreve o nome da criança e uma frase ditada por ela sobre algo que a faz feliz ou sobre alguém que ela ama.
- Acrescente laços amarelos recortados pelas crianças, girassóis pintados e estrelas douradas.
- Exponha o painel em um corredor ou na entrada da escola, visível para toda a comunidade escolar.
O painel se torna um símbolo vivo da campanha na escola — e cada criança se vê representada nele, reforçando a autoestima e o sentimento de fazer parte de algo maior.
Dinâmicas lúdicas e brincadeiras para identificar emoções
O brincar é a principal forma de aprendizagem da criança pequena, e as dinâmicas lúdicas permitem trabalhar a identificação de emoções de forma prazerosa, sem a pressão de uma atividade formal. Algumas opções testadas e aprovadas para a faixa etária de 3 a 6 anos:
- Dado das emoções: um cubo grande com expressões faciais em cada face. A criança joga o dado e imita a emoção que aparecer, contando uma situação em que sentiu aquilo.
- Mímica das emoções: o professor sussurra uma emoção no ouvido da criança, que a representa com o corpo e o rosto enquanto os colegas adivinham.
- Caça às emoções: cartões com expressões faciais espalhados pela sala. Ao ouvir uma música, as crianças circulam; quando ela para, cada uma pega um cartão e conta uma história sobre aquela emoção.
- Teatro de fantoches: em duplas, as crianças criam uma cena curta com fantoches em que um personagem está triste e o outro o ajuda.
- Abraço coletivo: dinâmica de encerramento em que a turma forma uma roda e cada criança diz uma coisa que aprecia em um colega antes de um abraço coletivo.
Apostila de atividades impressas: sugestões de fichas e folhas para colorir
As atividades impressas complementam as experiências vivenciais e permitem que a criança leve para casa um registro concreto do que foi trabalhado em sala. Para o Setembro Amarelo, uma apostila temática pode incluir:
- Ficha “Como estou hoje?”: rosto em branco para a criança desenhar sua expressão e colorir conforme o sentimento do dia.
- Folha de colorir “O girassol das emoções”: um girassol grande com pétalas numeradas, cada uma representando uma emoção diferente para colorir.
- Ficha “Quem me ajuda quando estou triste?”: silhuetas de pessoas para a criança desenhar ou colar fotos de seus adultos de confiança.
- Labirinto das emoções: percurso lúdico em que a criança ajuda um personagem a encontrar seu amigo passando por diferentes sentimentos.
- Ficha de completar frases: “Eu fico feliz quando…”, “Quando estou triste, eu…”, “Meu lugar favorito é…” — ditadas ao professor para crianças não alfabetizadas.
- Folha de colorir “O laço amarelo”: o símbolo da campanha para colorir e levar para casa, acompanhado de uma mensagem simples sobre valorizar a vida.
Histórias infantis e livros para trabalhar Setembro Amarelo em sala
Indicações de histórias sobre saúde mental e emoções para crianças
A literatura infantil é uma das ferramentas mais eficazes para abordar temas sensíveis com crianças pequenas. As histórias criam distância segura — a criança processa emoções difíceis através do personagem, sem se sentir exposta. A seguir, uma seleção de obras especialmente indicadas para esse trabalho na Educação Infantil:
- “O Monstro das Cores” – Anna Llenas: clássico indispensável. O monstro mistura todas as emoções e precisa organizá-las em potes coloridos. Perfeito para introduzir o vocabulário emocional com crianças a partir de 3 anos.
- “Quando Estou Triste” – Trace Moroney: da série “Quando Estou…”, aborda a tristeza de forma acolhedora e propõe estratégias de enfrentamento acessíveis à criança pequena.
- “O Ponto” – Peter H. Reynolds: narrativa sobre autoconfiança e expressão criativa. Ideal para trabalhar a autoestima e o “eu consigo” que sustenta a saúde emocional.
- “Emoções” – Alain Serres e Zaü: livro visual e poético que explora diferentes sentimentos com ilustrações expressivas, adequado para crianças de 2 a 5 anos.
- “A Raiva” – Mireille d’Allancé: Roberto, o personagem, aprende a lidar com a raiva de forma construtiva. Excelente para trabalhar regulação emocional.
- “Frederico” – Leo Lionni: sobre o rato que coleta palavras, cores e raios de sol para os dias difíceis. Uma metáfora delicada sobre esperança e beleza da vida.
- “Não Vou Me Levantar!” – Dev Petty: aborda a preguiça e o desânimo com humor, abrindo espaço para falar sobre dias difíceis de forma leve.
Como explorar uma história infantil antes, durante e depois da leitura
A leitura de um livro sem mediação pedagógica aproveita apenas uma fração do seu potencial formativo. A estratégia dos três momentos — antes, durante e depois da leitura — maximiza o impacto emocional e cognitivo de cada história.
Antes da leitura (antecipação):
- Mostre a capa e pergunte: “O que você acha que vai acontecer nessa história?”
- Ative conhecimentos prévios: “Você já se sentiu assim como esse personagem parece estar se sentindo?”
- Crie expectativa com uma pergunta disparadora relacionada ao tema emocional do livro.
Durante a leitura (engajamento):
- Faça pausas estratégicas em momentos de tensão emocional: “O que você acha que ele está sentindo agora?”
- Convide as crianças a imitar as expressões faciais dos personagens.
- Relacione situações do livro com experiências reais da turma: “Isso já aconteceu com alguém aqui?”
Depois da leitura (aprofundamento):
- Roda de conversa sobre a emoção central da história.
- Proposta de desenho, pintura ou dramatização inspirada no livro.
- Criação coletiva de um “final alternativo” onde o personagem encontra ajuda ou solução.
- Registro escrito (ditado ao professor) de uma frase que a criança quer guardar da história.
Como envolver as famílias no Setembro Amarelo da escola
Comunicado e carta para os responsáveis: modelo editável
O envolvimento das famílias é indispensável para que o trabalho do Setembro Amarelo tenha continuidade além dos muros da escola. Um comunicado claro, acolhedor e bem fundamentado é o primeiro passo para criar essa ponte. Abaixo, um modelo que pode ser adaptado pela equipe pedagógica:
“Prezados responsáveis,
Durante o mês de setembro, nossa escola participa da campanha Setembro Amarelo — movimento nacional de valorização da vida e promoção da saúde mental. Na Educação Infantil, trabalhamos esse tema de forma lúdica e acolhedora, com foco no reconhecimento das emoções, na construção de vínculos seguros e na cultura do pedir ajuda.
Ao longo das próximas semanas, seu filho(a) participará de rodas de conversa, atividades de expressão artística, histórias infantis e dinâmicas que o(a) ajudarão a nomear e expressar seus sentimentos de forma saudável. Essas experiências formam a base de uma saúde emocional sólida para a vida toda.
Convidamos vocês a continuarem essa conversa em casa, perguntando sobre as atividades, acolhendo as emoções que seu filho(a) compartilhar e reforçando que pedir ajuda é sempre a escolha certa. Em breve, enviaremos sugestões de atividades para fazer juntos em família.
Com carinho, a equipe pedagógica.”
Além da carta, é recomendável realizar uma reunião de pais ou um encontro online para apresentar a proposta, esclarecer dúvidas e oferecer orientações básicas sobre como conversar com crianças pequenas a respeito de emoções e saúde mental.
Atividades para fazer em casa junto com os filhos
Dar continuidade ao trabalho emocional em casa é tão relevante quanto o que acontece em sala. As sugestões a seguir são simples, não exigem materiais especiais e estão ao alcance de qualquer família:
- Diário das emoções em família: ao final do dia, cada membro compartilha uma emoção que sentiu — sem julgamento, apenas com escuta. Crianças podem desenhar em vez de falar.
- Leitura compartilhada: escolha um dos livros indicados neste artigo e leia junto com seu filho, fazendo as perguntas dos três momentos de leitura.
- Passeio das cores: em um passeio ou em casa, peça à criança para identificar objetos amarelos e contar algo que ama ou que a faz feliz para cada objeto encontrado.
- Caixa dos afetos: decorem juntos uma caixa de sapato e coloquem dentro bilhetinhos com palavras de carinho, memórias felizes e fotos. A criança pode recorrer a ela em momentos de tristeza.
- Abraço cronometrado: pesquisas mostram que abraços de pelo menos 20 segundos liberam ocitocina e reduzem o cortisol. Proponha um “abraço de 20 segundos” diário com seu filho.
Papel do professor e da equipe pedagógica durante o Setembro Amarelo
Sinais de alerta emocional em crianças pequenas: o que observar
O professor da Educação Infantil não é psicólogo, mas é, muitas vezes, o adulto que mais tempo passa com a criança fora do ambiente familiar. Essa posição privilegiada o torna um observador fundamental de mudanças comportamentais que podem indicar sofrimento emocional. Reconhecer esses sinais faz parte da formação de qualquer educador que atua com a primeira infância.
Situações que merecem atenção e encaminhamento:
- Mudança abrupta de comportamento: criança antes extrovertida que se torna retraída, ou vice-versa.
- Choro frequente e intenso sem causa aparente, especialmente na chegada à escola.
- Recusa persistente em participar de atividades que antes eram prazerosas.
- Comportamentos regressivos: criança que volta a apresentar condutas típicas de fases anteri









