O livro “Amoras” é uma obra poderosa para trabalhar na educação infantil, especialmente quando se busca desenvolver consciência sobre diversidade, identidade e autoestima nas crianças pequenas. Com sua narrativa sensível e ilustrações marcantes, essa história oferece oportunidades únicas para abordar temas importantes de forma lúdica e acessível aos pequenos leitores, promovendo reflexões que vão além do entretenimento.
Integrar “Amoras” à rotina pedagógica significa criar espaços de diálogo onde as crianças se sintam representadas e valorizadas em suas singularidades. A proposta do livro se alinha perfeitamente com uma educação humanizada que reconhece cada criança em sua totalidade, estimulando o desenvolvimento socioemocional através de atividades criativas, rodas de conversa e experiências que conectam a leitura com a vida real dos alunos.
No Colégio Itatiaia, compreendemos que a educação infantil vai além do aprendizado acadêmico. Trabalhar obras significativas como “Amoras” faz parte de nossa metodologia que valoriza a formação integral, a autonomia e a criatividade das crianças, transformando cada leitura em oportunidade de crescimento pessoal e coletivo.
Por que trabalhar o livro Amoras, de Emicida, na Educação Infantil?
Amoras, escrito pelo rapper e artista Emicida e ilustrado por Aldo Fabrini, vai muito além de um livro infantil com imagens coloridas. Trata-se de uma obra que convida crianças pequenas a olharem para si mesmas com orgulho, a reconhecerem a riqueza da sua herança cultural e a compreenderem que o mundo é feito de muitas histórias, muitas cores e muitas formas de existir. Por isso, entender como trabalhar o livro Amoras na Educação Infantil tornou-se uma habilidade fundamental para educadores que buscam uma prática pedagógica antirracista, inclusiva e emocionalmente significativa.
A narrativa acompanha uma menina negra que observa o mundo ao seu redor e percebe que, assim como as amoras — frutos que passam do verde ao vermelho e depois ao roxo escuro — as pessoas têm cores diferentes, e todas essas cores são bonitas. A aparente simplicidade do texto esconde uma profundidade temática rara para o público de 3 a 6 anos, o que faz da obra um instrumento pedagógico de grande valor na Educação Infantil.
Temas centrais da obra: identidade, representatividade e ancestralidade
O livro se organiza em torno de três eixos temáticos que se entrelaçam ao longo das páginas. O primeiro é a identidade: a protagonista aprende a se reconhecer como sujeito único, com características físicas que merecem ser celebradas, não apagadas. O segundo é a representatividade: ao encontrar uma menina negra como personagem central de uma história positiva, crianças negras se veem refletidas na literatura, enquanto crianças brancas aprendem a enxergar e valorizar o outro. O terceiro eixo é a ancestralidade: a obra evoca, de forma poética e acessível, a herança africana presente na cultura brasileira, conectando os pequenos leitores a uma história coletiva mais ampla.
Esses três temas dialogam diretamente com o trabalho de identidade e autonomia na Educação Infantil, que reconhece a construção do “eu” como um dos pilares do desenvolvimento integral na primeira infância. Quando a criança se vê representada em uma história, ela fortalece sua autoestima, desenvolve senso de pertencimento e amplia sua capacidade de se relacionar com o diferente.
Alinhamento com a BNCC e o PNLD 2022 para a Educação Infantil
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) organiza a Educação Infantil em torno de seis direitos de aprendizagem — conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se — e cinco campos de experiências. O livro Amoras articula-se diretamente com pelo menos três desses campos:
- O eu, o outro e o nós: ao tratar de identidade racial, diversidade e pertencimento coletivo, a obra estimula o reconhecimento de si e do outro como sujeitos de direitos.
- Traços, sons, cores e formas: as ilustrações ricas em detalhes e a linguagem poética do texto convidam à exploração estética e à expressão artística.
- Escuta, fala, pensamento e imaginação: a narrativa amplia o vocabulário, estimula a escuta ativa e favorece o desenvolvimento da linguagem oral.
No âmbito do PNLD 2022, Amoras foi selecionado como obra literária recomendada para a Educação Infantil, o que confirma seu potencial pedagógico e sua adequação às diretrizes curriculares nacionais. O livro também atende às exigências da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as etapas da Educação Básica.
Como fazer a contação de história do livro Amoras em sala de aula
A contação de história não é um momento passivo de leitura em voz alta. Quando bem conduzida, ela transforma o livro em uma experiência sensorial, emocional e cognitiva que mobiliza a atenção, a imaginação e o vínculo afetivo das crianças com a narrativa. Com Amoras, esse potencial se amplia porque o texto tem ritmo, musicalidade e imagens que convidam à contemplação.
Preparação do ambiente e recursos visuais para a leitura compartilhada
Antes de abrir o livro, o educador precisa preparar o espaço de forma intencional. Os ambientes escolares funcionam como contextos de aprendizagem, e a organização física da sala comunica às crianças que algo especial está prestes a acontecer. Algumas estratégias eficazes incluem:
- Organizar as crianças em semicírculo no chão, sobre tapetes ou almofadas, criando proximidade e conforto.
- Projetar as ilustrações do livro em uma tela ou parede, ampliando os detalhes visuais para que todos possam observar com clareza.
- Dispor amoras reais — ou imagens do fruto em diferentes estágios de maturação — sobre uma bandeja, para que as crianças possam tocar, observar e conectar o objeto concreto à metáfora da obra.
- Criar um painel de entrada com a capa do livro, o nome do autor e uma pergunta provocadora, como: “Você já parou para pensar por que as pessoas têm cores diferentes?”
- Preparar músicas instrumentais de origem africana ou afro-brasileira para tocar suavemente durante a leitura, criando uma atmosfera sonora coerente com os temas abordados.
Estratégias de mediação de leitura para crianças de 3 a 6 anos
A mediação de leitura é a arte de criar pontes entre o texto e o leitor. Para crianças pequenas, essas pontes precisam ser construídas com perguntas abertas, pausas estratégicas e conexões com a experiência vivida. Durante a leitura de Amoras, o educador pode adotar as seguintes estratégias:
- Leitura pausada com observação das ilustrações: antes de ler o texto de cada página, mostre a imagem e pergunte: “O que você está vendo aqui? Como essa pessoa está se sentindo?”
- Perguntas de antecipação: ao virar uma página, pergunte: “O que você acha que vai acontecer agora?”
- Conexões pessoais: ao mencionar a cor da pele da protagonista, pergunte: “Qual é a cor da sua pele? E a do seu amigo?”
- Exploração do vocabulário novo: palavras como “ancestral”, “herança” e “pertencimento” podem ser explicadas com exemplos concretos e analogias acessíveis à faixa etária.
- Entonação expressiva: o texto de Emicida tem musicalidade — use variações de voz, ritmo e intensidade para tornar a leitura mais envolvente.
Como usar a versão animada e o vídeo oficial do livro como apoio pedagógico
O livro Amoras possui uma versão animada disponível em plataformas digitais, narrada pelo próprio Emicida. Esse recurso audiovisual é um complemento pedagógico poderoso, especialmente para crianças que ainda estão desenvolvendo a capacidade de atenção sustentada à leitura impressa. Algumas formas de integrá-lo à prática em sala:
- Exibir o vídeo após a leitura impressa, para que as crianças possam comparar as duas experiências e perceber como a voz do autor dá nova dimensão ao texto.
- Usar trechos do vídeo como ponto de partida para rodas de conversa, pausando em momentos-chave e fazendo perguntas sobre o que foi visto e sentido.
- Projetar o vídeo em tela grande e pedir que as crianças prestem atenção às cores, aos movimentos das ilustrações e à trilha sonora.
- Após a exibição, propor que as crianças recontem a história com suas próprias palavras, estimulando a memória narrativa e a expressão oral.
Sequência didática completa com o livro Amoras: passo a passo
Uma sequência didática bem estruturada garante que o trabalho com Amoras vá além de uma única leitura e se transforme em um processo de aprendizagem profundo e duradouro. A seguir, apresentamos uma proposta em cinco etapas, pensada para turmas da Educação Infantil II e III (crianças de 4 a 6 anos), com possibilidade de adaptação para grupos menores.
1ª etapa: roda de conversa sobre diversidade e pertencimento racial
Antes de apresentar o livro, o educador conduz uma roda de conversa para ativar os conhecimentos prévios das crianças e criar um clima de escuta e respeito. O objetivo não é oferecer respostas, mas abrir perguntas. Algumas questões disparadoras:
- “Olhando para a nossa turma, o que vocês percebem de diferente entre as pessoas?”
- “Vocês acham que ter cores de pele diferentes é algo bom, ruim ou normal?”
- “Alguém já se sentiu diferente dos outros? Como foi isso?”
Essa etapa mobiliza o desenvolvimento socioemocional das crianças, pois exige que elas nomeiem sentimentos, escutem o outro e expressem suas percepções em um ambiente seguro. O educador deve registrar as falas em um cartaz para retomar ao final da sequência.
2ª etapa: exploração das ilustrações e vocabulário da obra
Nesta etapa, realiza-se a leitura compartilhada do livro com mediação ativa, conforme descrito anteriormente. Após a leitura, o educador retoma as ilustrações página por página, convidando as crianças a observar detalhes que podem ter passado despercebidos: a expressão facial da protagonista, os elementos culturais presentes nos cenários, as variações de cor ao longo das imagens.
Em seguida, constrói-se coletivamente um mural de vocabulário com as palavras novas encontradas no livro. Cada termo é escrito em um cartão, ilustrado pela criança ou pelo educador, e fixado no mural. Palavras como “amora”, “ancestral”, “herança”, “pertencer” e “diversidade” ganham significado concreto quando associadas a imagens e à história vivida.
3ª etapa: atividades de expressão oral e escuta ativa
Com o livro já conhecido, as crianças estão prontas para recontar a história com suas próprias palavras. O educador pode organizar pequenos grupos e propor que cada um reconte uma parte da narrativa para os colegas. Outra possibilidade é a entrevista imaginária: uma criança assume o papel da protagonista e responde perguntas feitas pelos colegas sobre como ela se sente, o que aprecia na própria aparência e o que aprendeu com as amoras.
Essas atividades fortalecem a construção de habilidades sociais, pois exigem escuta ativa, respeito ao turno de fala e empatia com a perspectiva alheia.
4ª etapa: produção artística inspirada nas ilustrações do livro
As ilustrações de Aldo Fabrini são um convite à criação. Nesta etapa, as crianças produzem suas próprias obras visuais inspiradas no livro. Algumas propostas:
- Pintura com aquarela ou guache: as crianças criam uma cena da história com as cores que mais as marcaram.
- Colagem de texturas: usando tecidos, papéis coloridos e materiais naturais, recriam a textura visual das ilustrações.
- Autorretrato: cada criança se desenha ou pinta, explorando os tons da própria pele com tintas misturadas especialmente para isso (veja mais na seção de atividades práticas).
O resultado final pode compor uma exposição coletiva na escola, tornando o aprendizado visível para toda a comunidade escolar e para as famílias.
5ª etapa: avaliação e registro das aprendizagens das crianças
A avaliação na Educação Infantil não é somativa — ela é observacional, descritiva e processual. Nesta etapa, o educador retoma o cartaz produzido na roda de conversa inicial e propõe um novo diálogo com as mesmas perguntas. O objetivo é identificar, junto com as crianças, o que mudou no pensamento delas ao longo da sequência.
Além dessa conversa final, o educador pode utilizar:
- Portfólios individuais: com registros fotográficos das produções e falas das crianças ao longo das etapas.
- Diário de bordo do educador: com anotações sobre as reações, perguntas e aprendizagens observadas em cada criança.
- Painel coletivo de encerramento: onde cada criança contribui com uma frase ou desenho sobre o que o livro significou para ela.
Atividades didáticas práticas para trabalhar o livro Amoras
Além da sequência didática estruturada, existem atividades pontuais que podem ser inseridas em diferentes momentos do trabalho com Amoras ou utilizadas de forma independente em projetos mais amplos sobre diversidade. A seguir, apresentamos propostas práticas, testadas em contextos reais de Educação Infantil.
Luva ilustrada e fantoches para recontar a história
A luva ilustrada é um recurso de contação de histórias que encanta crianças pequenas pela dimensão lúdica e participativa. O educador confecciona uma luva de tecido com personagens da história fixados em cada dedo: a protagonista, a avó, as amoras em diferentes estágios e outros elementos da narrativa. Durante a contação, os dedos ganham vida e as crianças são convidadas a participar, movendo os personagens e completando as falas.
Os fantoches cumprem função semelhante: cada criança pode receber um boneco de personagem e participar de uma encenação coletiva da história. Essa atividade estimula a expressão oral, a memória narrativa e a autonomia infantil, pois cada criança assume a responsabilidade de dar voz ao seu personagem.
Atividades de consciência negra e valorização da cultura afro-brasileira
O livro Amoras é um ponto de entrada natural para um projeto mais amplo de valorização da cultura afro-brasileira. Algumas atividades complementares que enriquecem esse percurso:
- Mapa da ancestralidade: as crianças exploram, com ajuda das famílias, de onde vêm seus antepassados, criando um mapa coletivo da diversidade de origens presentes na turma.
- Culinária afro-brasileira: preparar receitas simples como acarajé, cuscuz ou cocada, explorando a origem africana desses pratos e os ingredientes utilizados.
- Músicas e ritmos afro-brasileiros: apresentar instrumentos como o berimbau, o atabaque e o agogô, e propor brincadeiras rítmicas com esses sons.
- Roda de capoeira: convidar um capoeirista para uma demonstração participativa, contextualizando a capoeira como patrimônio cultural afro-brasileiro.
Jogos e dinâmicas de grupo para trabalhar inclusão e respeito às diferenças
Os jogos coletivos são ferramentas eficazes para desenvolver habilidades sociais em crianças, pois colocam em prática valores como cooperação, respeito e empatia em situações concretas. Algumas dinâmicas especialmente adequadas ao contexto de Amoras:
- Jogo do espelho: em duplas, uma criança faz movimentos e a outra imita, como se fosse um reflexo. A atividade trabalha atenção ao outro e reconhecimento das expressões corporais.
- Teia de pertencimento: as crianças ficam em círculo com um novelo de lã. Cada uma fala algo que tem em comum com o colega ao lado e passa o novelo, criando uma teia que representa as conexões entre elas.
- Caixinha das diferenças: cada criança deposita em uma caixa um desenho de algo que a faz única — um talento, uma característica física, uma tradição familiar. Os desenhos são sorteados e as crianças tentam adivinhar de quem é cada um, celebrando as singularidades.
Produção de autorretrato e exploração da identidade visual das crianças
A atividade de autorretrato é uma das mais ricas para trabalhar identidade na Educação Infantil. Ela exige que a criança se observe com atenção, reconheça suas características físicas e as represente com orgulho. Para tornar a proposta ainda mais significativa no contexto de Amoras:
- Disponibilize espelhos individuais para que cada criança possa se observar antes de desenhar.
- Ofereça uma paleta de tintas com tons de pele variados — do mais claro ao mais escuro — e ensine as crianças a misturar as cores até encontrar a tonalidade correspondente à sua pele.
- Proponha que as crianças também representem o cabelo, os olhos e outros traços que consideram especiais em si mesmas.
- Após a produção, organize uma galeria de autorretratos com o nome de cada criança e uma frase ditada por ela sobre o que mais aprecia em si mesma.
Essa proposta conecta-se diretamente ao tema central do livro e produz um impacto emocional duradouro, especialmente para crianças negras que raramente veem sua beleza celebrada no ambiente escolar.
Como trabalhar Amoras no contexto da inclusão e da Lei 10.639/03
A Lei 10.639/03 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional para tornar obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as etapas da Educação Básica. Embora frequentemente associada ao Ensino Fundamental e Médio, a lei também se aplica à Educação Infantil, e o livro Amoras é um dos instrumentos mais acessíveis e potentes para cumprir esse mandato com crianças pequenas.
Trabalhar a lei na Educação Infantil não significa promover aulas expositivas sobre história da África. Significa criar condições para que crianças negras se sintam representadas, valorizadas e pertencentes ao espaço escolar — e para que todas as crianças aprendam, desde cedo, a reconhecer e celebrar a diversidade étnico-racial como parte constitutiva da identidade brasileira.
Representatividade negra na literatura infantil: abrindo o diálogo com as crianças
Um dos efeitos mais imediatos de trabalhar Amoras em sala é a reação de crianças negras ao verem uma protagonista que se parece com elas. Muitas educadoras relatam que crianças que raramente se manifestam durante contações de história ficam completamente absortas quando a personagem central compartilha suas características físicas. Esse fenômeno — chamado de espelhamento narrativo — tem impacto direto na autoestima, no engajamento escolar e na construção da identidade.
Para abrir o diálogo sobre representatividade com as crianças, o educador pode:
- Perguntar: “Você já leu um livro com um personagem que parecia com você? Como foi isso?”
- Criar um mural com capas de livros infantis que trazem protagonistas negros, indígenas e de outras etnias.
- Propor que as crianças “escolham” um personagem com quem se identificam e expliquem por quê.
Conexões com outras obras e projetos escolares sobre diversidade étnico-racial
Amoras ganha ainda mais força quando inserido em um projeto pedagógico mais amplo que articula diferentes obras e experiências. Alguns títulos que dialogam diretamente com os temas da obra de Emicida e podem compor um projeto integrado:
- Cabelo de Lala, de Cris Lopes — aborda a relação de uma menina negra com seu cabelo crespo.
- O Menino Nito, de Sônia Rosa — trata da masculinidade negra e do choro como expressão legítima de sentimentos.
- Betina, de Nilma Lino Gomes — conta a história de uma menina negra que aprende sobre sua ancestralidade por meio do cabelo.
- Obax, de André Neves — uma história africana sobre imaginação e pertencimento.
A criação de uma biblioteca temática com essas obras, acessível às crianças durante os momentos de leitura livre, garante que o contato com a representatividade negra não fique restrito a um projeto pontual, mas se torne parte da rotina escolar.
Dicas para envolver as famílias no projeto pedagógico com o livro Amoras
A parceria entre escola e família é um dos pilares de uma educação verdadeiramente transformadora. Quando os temas trabalhados em sala encontram continuidade em casa, o aprendizado se consolida e ganha novos significados. No caso de Amoras, envolver as famílias é especialmente relevante porque os temas de identidade, pertencimento e ancestralidade são profundamente pessoais e familiares.
Como propor atividades de leitura compartilhada entre pais, responsáveis e crianças
A leitura compartilhada em família é uma das práticas mais eficazes para o desenvolvimento da linguagem e do vínculo afetivo. Para envolver os responsáveis no projeto com Amoras, o educador pode:
- Enviar o livro para casa em um sistema de mochila literária, onde cada família fica com o exemplar por alguns dias e registra a experiência de leitura em um caderno coletivo.
- Propor que os responsáveis leiam o livro com a criança e respondam juntos a uma ficha simples com perguntas como: “Qual foi a parte favorita da criança? Houve alguma parte que gerou conversa? O que a família achou do livro?”
- Sugerir que a família procure, juntos, fotos de antepassados e conte à criança um pouco da história familiar, conectando o tema da ancestralidade à realidade vivida.
Sugestões de rodas de conversa com famílias sobre identidade e pertencimento
Além das atividades em casa, a escola pode organizar encontros presenciais com as famílias para aprofundar os temas trabalhados com o livro. Algumas sugestões:
- Tarde literária: convidar as famílias para uma sessão de contação de história com Amoras, seguida de uma conversa sobre como abordar temas de identidade racial com crianças pequenas.
- Oficina de autorretratos em família: pais e filhos produzem juntos seus autorretratos, usando a paleta de tons de pele, e conversam sobre o que cada um mais aprecia em si mesmo.
- Roda de saberes: convidar familiares que tenham conhecimentos sobre cultura afro-brasileira — cozinheiras, artesãos, músicos — para compartilhar suas histórias com as crianças e os demais responsáveis.
Essas iniciativas fortalecem o desenvolvimento da inteligência emocional das crianças ao criar espaços seguros onde sentimentos, identidades e histórias familiares podem ser compartilhados sem julgamento.
Perguntas Frequentes sobre como trabalhar o livro Amoras na Educação Infantil
Para qual faixa etária da Educação Infantil o livro Amoras é mais indicado?
O livro Amoras é indicado para crianças a partir de 4 anos, sendo mais amplamente utilizado com turmas de Educação Infantil II e III (4 a 6 anos). No entanto, com adaptações na mediação e nos recursos visuais, a obra pode ser apresentada a crianças de 3 anos, especialmente por meio das ilustrações e da versão animada. A linguagem poética e as imagens ricas tornam o livro acessível mesmo para quem ainda não domina a leitura, pois a narrativa visual é tão potente quanto o texto escrito.
Como abordar o tema racismo com crianças pequenas usando o livro Amoras?
Amoras não aborda o racismo de forma direta ou explícita — e essa é justamente uma de suas maiores qualidades pedagógicas. A obra trabalha o antídoto ao racismo: o orgulho, a autoestima e o pertencimento. Para crianças pequenas, a abordagem mais eficaz não é explicar o racismo como conceito abstrato, mas criar experiências concretas de valorização da diversidade. Se, durante as atividades, alguma criança trouxer uma situação de discriminação vivida, o educador deve acolher a fala com seriedade, validar o sentimento e reforçar que todas as pessoas merecem respeito independentemente de sua cor de pele. O trabalho com desenvolvimento socioemocional na escola é fundamental para criar esse ambiente de acolhimento e segurança.
Quantas aulas são necessárias para desenvolver uma sequência didática com Amoras?
A sequência didática completa descrita neste post pode ser desenvolvida em 8 a 12 encontros, dependendo do tempo disponível em cada aula e da profundidade com que cada etapa é trabalhada. Uma distribuição possível seria: 1 a









