Integrar elementos da natureza na educação infantil é muito mais que uma atividade complementar: é uma estratégia pedagógica poderosa que conecta as crianças com o mundo ao seu redor enquanto estimula aprendizagem significativa. Quando exploramos como trabalhar elementos da natureza em sala de aula e espaços externos, abrimos portas para que os pequenos desenvolvam curiosidade genuína, respeito pelo meio ambiente e habilidades cognitivas de forma natural e lúdica.
No Colégio Itatiaia, compreendemos que a natureza é uma excelente ferramenta pedagógica para o desenvolvimento integral das crianças. Nossa proposta humanizada aproveita os espaços verdes e ambientes planejados para que cada criança experimente aprendizados autênticos: observar insetos, plantar sementes, sentir texturas diferentes, explorar cores e formas. Essas vivências não apenas enriquecem o conhecimento acadêmico, mas também fortalecem a autonomia, criatividade e desenvolvimento socioemocional.
Trabalhar com elementos naturais na educação infantil permite que a brincadeira educativa ganhe profundidade, transformando cada descoberta em oportunidades de crescimento. Desde o berçário até o ensino fundamental, nossas atividades com natureza respeitam o ritmo de desenvolvimento de cada criança, criando memórias afetivas e aprendizados que perduram para toda a vida.
Por que trabalhar elementos da natureza na educação infantil?
A relação entre crianças e natureza é tão antiga quanto a própria infância. Ainda assim, nas últimas décadas, o ambiente urbano e a rotina escolar cada vez mais estruturada foram afastando as crianças pequenas do contato direto com terra, água, folhas e vento. Resgatar essa conexão não é nostalgia — é uma decisão pedagógica fundamentada em evidências científicas e em documentos curriculares como a Base Nacional Comum Curricular. Saber como trabalhar elementos da natureza na educação infantil significa oferecer experiências sensoriais ricas, contextos autênticos de investigação e oportunidades genuínas de desenvolvimento integral.
Benefícios do contato com a natureza para o desenvolvimento infantil
O contato com elementos naturais ativa simultaneamente múltiplas dimensões do desenvolvimento. No plano sensorial e motor, manipular pedras, areia, folhas e água exige coordenação fina, força de preensão, equilíbrio e percepção tátil — habilidades que nenhuma ficha impressa consegue estimular com a mesma profundidade. No plano cognitivo, a natureza apresenta variáveis reais: uma pedra é pesada ou leve, rugosa ou lisa, fria ou quente; uma folha pode ser translúcida contra o sol ou completamente opaca. Essas propriedades concretas alimentam o pensamento lógico-matemático, a classificação, a comparação e a formulação de hipóteses.
No plano socioemocional, as atividades com elementos naturais costumam acontecer em grupo, exigindo negociação, partilha e colaboração. Uma criança que cede espaço na bacia d’água ou que ajuda o colega a segurar um galho está exercitando competências sociais essenciais. Além disso, o contato com a natureza tem efeito comprovado na redução do estresse infantil, no aumento da atenção sustentada e na regulação emocional — aspectos diretamente ligados ao desenvolvimento socioemocional das crianças. A sensação de competência ao plantar uma semente ou construir um canal de água no pátio também fortalece a autoestima e a autonomia infantil, pilares de uma educação humanizada.
O que dizem as pesquisas e a BNCC sobre natureza na primeira infância
A BNCC posiciona a natureza como um dos eixos estruturantes da educação infantil. No campo de experiências “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações”, o documento orienta que as crianças devem observar e explorar o ambiente com curiosidade, identificar características do mundo natural e social, e estabelecer relações entre fenômenos e objetos. O campo “O eu, o outro e o nós” também contempla esse contato ao propor experiências que ampliam o repertório cultural e a percepção de si no mundo.
No plano científico, pesquisas internacionais reforçam esse posicionamento. O estudo clássico de Richard Louv, publicado em Last Child in the Woods, cunhou o termo “transtorno do déficit de natureza” para descrever os efeitos negativos do afastamento das crianças do ambiente natural — entre eles, aumento da ansiedade, dificuldade de atenção e menor criatividade. Investigações escandinavas sobre as chamadas forest schools demonstram que crianças com exposição regular a ambientes naturais apresentam melhor desenvolvimento motor, maior resiliência e mais capacidade de resolução de problemas. No Brasil, estudos ligados à abordagem Reggio Emilia e à pedagogia waldorfiana apontam na mesma direção: a natureza funciona como um “terceiro educador”, capaz de provocar aprendizagens que o espaço interno da sala raramente alcança.
Os 4 elementos da natureza na educação infantil: água, terra, ar e fogo
A tradição filosófica ocidental organizou o mundo natural em quatro elementos fundamentais — água, terra, ar e fogo. Essa divisão, além de culturalmente significativa, oferece uma estrutura pedagógica prática e acessível para educadores da primeira infância. Cada elemento possui propriedades sensoriais únicas, provoca reações distintas nas crianças e abre caminhos para diferentes campos do conhecimento. Veja como explorar cada um deles de forma intencional e segura.
Como explorar a água em atividades pedagógicas
A água é, provavelmente, o elemento mais versátil para trabalhar com crianças pequenas. Sua fluidez, temperatura variável, transparência e capacidade de transformar outros materiais a tornam um recurso pedagógico inesgotável. Bacias com água em diferentes temperaturas estimulam a percepção sensorial e o vocabulário descritivo (“quente”, “fria”, “morna”). Adicionar corantes alimentícios abre discussões sobre mistura e cores. Oferecer funis, colheres, esponjas, peneiras e recipientes de tamanhos variados transforma uma simples bacia em um laboratório de física elementar, onde a criança experimenta volume, peso, pressão e absorção.
Do ponto de vista da linguagem, a exploração da água é rica em onomatopeias e metáforas: o barulho do pingo, o som do jato, a sensação de molhado. Atividades com chuva simulada (regador sobre folhas grandes), circuitos com calhas improvisadas e experimentos de afundamento e flutuação ampliam o repertório científico e linguístico ao mesmo tempo. Para bebês, banhos sensoriais supervisionados com objetos de diferentes texturas na água são experiências de alto valor exploratório.
Como explorar a terra e elementos do solo com crianças pequenas
A terra é o elemento que mais enfrenta resistência por parte de adultos preocupados com higiene — e exatamente por isso merece atenção especial. Pesquisas em imunologia pediátrica indicam que o contato moderado com solo e microrganismos ambientais fortalece o sistema imunológico infantil, desde que realizado com supervisão e higiene adequada após a atividade. Do ponto de vista pedagógico, o solo oferece texturas variadas (seco, úmido, argiloso, arenoso), cheiros característicos e possibilidades únicas de transformação.
As propostas com terra incluem: modelagem com argila ou barro, plantio de sementes em vasos, escavação em caixas de areia enriquecidas com elementos naturais (conchas, pedrinhas, sementes), mistura de terra com água para criar diferentes consistências e construção de maquetes ou relevos. O plantio merece destaque especial: acompanhar o ciclo de uma planta desde a semente até o broto desenvolve paciência, senso de responsabilidade e noções de tempo e transformação — conceitos abstratos que se tornam concretos quando a criança rega o próprio vaso todos os dias.
Como explorar o ar em brincadeiras e experimentos simples
O ar é o elemento mais abstrato dos quatro — invisível, intangível, mas absolutamente presente e perceptível em seus efeitos. Trabalhá-lo com crianças pequenas significa tornar visíveis suas propriedades por meio de experimentos e brincadeiras que revelam sua existência e força. Bolhas de sabão são um recurso clássico e imbatível: ao soprar, a criança percebe que o ar ocupa espaço, tem pressão e pode ser direcionado. Pipas, cataventos, bandeirolas e móbiles que se movem com o vento tornam esse elemento perceptível por meio do movimento.
Experimentos simples aprofundam a compreensão: inflar balões de diferentes tamanhos para comparar volume, colocar um guardanapo dentro de um copo e submergi-lo na água (o guardanapo permanece seco porque o ar ocupa o espaço), ou usar canudos para mover objetos leves sobre uma superfície. Brincadeiras de soprar — bolinha de papel, penas, algodão — desenvolvem a musculatura orofacial, importante para a fala, e ensinam conceitos de força, direção e distância de forma completamente lúdica.
Como trabalhar o fogo de forma segura e simbólica na creche e pré-escola
O fogo é o elemento que exige maior cuidado e, por isso, frequentemente acaba excluído das propostas pedagógicas. No entanto, essa exclusão priva as crianças de compreender um fenômeno natural fundamental para a história humana e para a vida cotidiana. A chave está em abordar o fogo de forma simbólica, representativa e, quando necessário, com supervisão adulta rigorosa.
Na dimensão simbólica, o fogo pode ser explorado por meio de histórias, imagens, músicas e dramatizações sobre luz, calor e transformação. Velas acesas por adultos em rituais de aniversário ou celebrações escolares permitem que as crianças observem a chama com segurança. Lanternas, luminárias e experimentos com luz e sombra aproximam as crianças das propriedades luminosas desse elemento. Para crianças maiores (4 a 5 anos), sob supervisão direta, é possível observar o efeito do calor em cera de vela derretida ou em gelo que se transforma. O importante é contextualizar o fogo como elemento de respeito, não de medo, construindo desde cedo uma relação consciente com os riscos naturais.
Atividades práticas com elementos da natureza para educação infantil
A teoria ganha vida quando se transforma em prática. As atividades a seguir foram organizadas para serem acessíveis, de baixo custo e altamente adaptáveis a diferentes contextos escolares — desde escolas com ampla área verde até aquelas que funcionam em espaços mais compactos no ambiente urbano.
Brincadeiras sensoriais com folhas, pedras, sementes e galhos
As brincadeiras sensoriais com elementos naturais são o ponto de entrada mais natural para qualquer faixa etária da educação infantil. A proposta básica consiste em oferecer uma variedade de elementos coletados — folhas de diferentes tamanhos e texturas, pedras lisas e rugosas, sementes grandes e pequenas, galhos finos e grossos — e permitir que as crianças explorem livremente antes de qualquer direcionamento pedagógico.
Após essa exploração inicial, o educador pode propor desafios progressivos:
- Separar os elementos por categoria (folhas com folhas, pedras com pedras)
- Ordenar do menor para o maior
- Encontrar elementos com a mesma textura ou cor
- Fechar os olhos e identificar o elemento apenas pelo tato
- Construir uma composição artística no chão ou em uma bandeja
Essas propostas desenvolvem simultaneamente classificação lógica, vocabulário descritivo, percepção sensorial e criatividade — tudo isso com materiais que a natureza oferece gratuitamente.
Recolhendo e organizando coleções de elementos naturais em sala
Criar uma coleção de elementos naturais é uma atividade de alto valor pedagógico que se estende ao longo do tempo. A proposta começa com uma saída de coleta — no pátio da escola, em uma praça próxima ou mesmo em uma caminhada pelo bairro — durante a qual as crianças recolhem o que chama sua atenção. De volta à sala, inicia-se o processo de organização: como vamos guardar? Como vamos nomear? Como vamos classificar?
Bandejinhas de ovos, potes de vidro transparentes, caixas de sapato divididas com papelão e quadros com compartimentos são suportes eficientes para essas coleções. O processo de organização ensina conceitos de pertencimento (esse elemento é da natureza?), categorização (é mineral, vegetal ou animal?), conservação (como cuidar para não estragar?) e registro (como fazer um cartão de identificação?). A coleção se torna um recurso permanente da sala, consultado e enriquecido ao longo do ano letivo.
Arte com elementos da natureza: carimbos, colagens e pinturas naturais
A natureza oferece um arsenal de materiais artísticos que nenhuma loja de papelaria consegue reproduzir. Folhas com nervuras pronunciadas são carimbos naturais perfeitos: basta aplicar tinta guache na face inferior e pressionar sobre papel para obter impressões detalhadas. Flores e frutas cortadas ao meio — maçã, laranja, pimentão — também produzem carimbos com formas geométricas surpreendentes.
Para colagens, galhos, sementes, pétalas secas, cascas de árvore e areia criam texturas impossíveis de reproduzir com papel colorido. Pinturas com pigmentos naturais — suco de beterraba, açafrão dissolvido em água, carvão vegetal moído — introduzem as crianças à história da arte humana, conectando-as à tradição milenar de usar o ambiente como paleta. Essas propostas artísticas integram ciências, história, linguagem e arte de forma orgânica, sem forçar conexões artificiais entre áreas do conhecimento.
Experimentos científicos simples usando materiais da natureza
A ciência na educação infantil não exige laboratório — exige curiosidade e materiais concretos. Alguns experimentos acessíveis e pedagogicamente ricos incluem:
- Germinação observável: colocar feijões entre algodão úmido e um copo transparente para acompanhar o desenvolvimento da raiz e do broto dia a dia.
- Afunda ou flutua: testar diferentes elementos naturais (pedras, folhas, galhos, sementes) em uma bacia com água, registrando os resultados em tabela pictórica.
- Dissolução: misturar areia, açúcar, sal e farinha em água para observar o que se dissolve e o que permanece intacto.
- Fototropismo: plantar mudas em caixas com abertura lateral e acompanhar como as plantas se inclinam em direção à luz ao longo dos dias.
- Decomposição: criar um pequeno composto com folhas, cascas de frutas e terra para observar a transformação ao longo de semanas.
Em todos esses experimentos, o papel do educador é o de mediador que faz perguntas abertas (“O que você acha que vai acontecer?”, “Por que você acha que isso aconteceu?”) em vez de fornecer respostas prontas. Essa postura alimenta o pensamento científico genuíno desde a primeira infância.
Plano de aula passo a passo: elementos da natureza na educação infantil
Um plano de aula bem estruturado garante intencionalidade pedagógica sem engessar a exploração das crianças. O modelo a seguir pode ser adaptado para diferentes elementos naturais e faixas etárias, mantendo a estrutura essencial de qualquer boa proposta para a educação infantil.
Objetivos de aprendizagem alinhados à BNCC
Os objetivos devem ser definidos a partir dos campos de experiências da BNCC, garantindo que a atividade dialogue com o currículo nacional. Para uma proposta com elementos naturais, eles podem incluir:
- Explorar e descrever semelhanças e diferenças entre elementos naturais, utilizando os sentidos (campo: Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações — EI03ET01)
- Identificar e selecionar fontes de informações para responder a questões sobre a natureza, com apoio do educador (EI03ET07)
- Expressar sentimentos, ideias e descobertas por meio de diferentes linguagens — verbal, corporal, plástica (campo: Traços, sons, cores e formas — EI03TS01)
- Demonstrar atitudes de cuidado e respeito com a natureza e o ambiente (campo: O eu, o outro e o nós — EI03EO07)
Materiais necessários e como coletar elementos com as crianças
A coleta dos materiais deve ser parte da atividade, não uma etapa prévia realizada apenas pelo educador. Envolver as crianças nesse processo desenvolve observação, seleção e senso de pertencimento em relação ao que será trabalhado. Para isso, organize:
- Sacolas ou cestas individuais ou coletivas para a coleta
- Luvas descartáveis ou panos úmidos para higiene durante e após a saída
- Câmera ou tablet para registrar fotograficamente os elementos no ambiente original
- Combinados claros sobre o que pode e o que não deve ser coletado (flores de plantas cultivadas, por exemplo, podem ser preservadas)
Durante a caminhada, o educador deve fazer perguntas mediadoras: “Onde você encontrou essa pedra?”, “Como ela é diferente dessa outra?”, “Você sabe o nome dessa folha?”. Esse diálogo transforma a coleta em uma experiência científica e linguística rica antes mesmo de chegar à sala.
Roteiro de atividade: da exploração livre à sistematização
Uma boa sequência didática com elementos naturais segue três momentos distintos e complementares:
- Exploração livre (15 a 20 minutos): os materiais são dispostos em bandejas ou no chão e as crianças exploram sem direcionamento. O educador observa, registra e faz perguntas abertas sem interromper a exploração espontânea.
- Exploração orientada (20 a 30 minutos): o educador propõe desafios específicos alinhados aos objetivos — classificar, ordenar, construir, experimentar. Nesse momento, as interações entre pares são incentivadas e o vocabulário científico é introduzido naturalmente.
- Sistematização e registro (10 a 15 minutos): as crianças são convidadas a organizar o que descobriram — por meio de desenho, fotografia, ditado ao educador, montagem de painel ou construção de um livro coletivo. Esse momento ancora as aprendizagens e cria memória pedagógica.
Avaliação e registro das aprendizagens
Na educação infantil, a avaliação é processual, observacional e não classificatória — conforme determinam a BNCC e a LDB. Para atividades com elementos naturais, os instrumentos mais adequados incluem:
- Portfólios individuais: coleção de fotografias, desenhos e produções da criança ao longo do projeto, com anotações do educador sobre as falas e descobertas observadas.
- Diário de bordo da turma: registro coletivo das descobertas, hipóteses levantadas e conclusões alcançadas, construído com as crianças ao longo das sessões.
- Observação sistemática: fichas com descritores específicos (a criança nomeia propriedades dos elementos? Compara? Formula hipóteses? Demonstra cuidado com os materiais?) preenchidas pelo educador durante as atividades.
- Roda de conversa avaliativa: ao final de cada sequência, uma conversa em grupo onde as crianças verbalizam o que aprenderam, o que mais gostaram e o que querem descobrir — avaliação e planejamento acontecendo simultaneamente.
Como adaptar as atividades para diferentes faixas etárias (0 a 5 anos)
A educação infantil abrange um espectro de desenvolvimento extraordinariamente amplo. Um bebê de 6 meses e uma criança de 5 anos têm capacidades, necessidades e formas de aprender radicalmente diferentes. Adaptar as propostas com elementos naturais a cada faixa etária não é apenas uma boa prática pedagógica — é uma exigência ética para garantir que cada criança seja desafiada no nível adequado ao seu desenvolvimento.
Bebês (0 a 1 ano e 6 meses): exploração sensorial segura
Para bebês, o contato com a natureza deve ser prioritariamente sensorial e sempre supervisionado de perto. Nessa faixa, a boca é um órgão de exploração tão importante quanto as mãos — o que exige atenção redobrada à escolha dos materiais. Elementos seguros incluem: folhas grandes e sem espinhos (para tocar e ouvir o barulho), pedras grandes demais para engolir com superfícies lisas, areia de granulometria grossa em caixas supervisionadas e água em bacias rasas com acompanhamento constante.
Experiências ao ar livre são especialmente valiosas nessa fase: deitar no gramado e sentir a textura da grama, observar folhas se movendo com o vento, ouvir o som da chuva, perceber o sol e a sombra alternando sobre a pele. Para bebês que ainda não caminham, tapetes sensoriais feitos com diferentes texturas naturais (sisal, musgo artificial, areia grossa entre plásticos transparentes) trazem a natureza para o nível do chão, onde eles exploram.
Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)
Nessa faixa, a mobilidade ampliada e o desenvolvimento da linguagem oral abrem novas possibilidades de interação com elementos naturais. As crianças já conseguem seguir combinados simples, nomear objetos e participar de pequenos experimentos com orientação. O jogo simbólico começa a emergir — e a natureza se torna cenário para brincadeiras de “cozinhinha” com folhas e pedras, “construção” com galhos e areia, e “jardim” com flores e terra.
Atividades indicadas para essa fase incluem: plantio em vasos individuais (cada criança cuida do seu), exploração de caixas sensoriais com diferentes elementos naturais, brincadeiras com água e recipientes variados, modelagem com argila ou massa de barro e passeios de observação com lupa de brinquedo. O educador deve nomear ativamente as propriedades dos elementos durante a exploração (“essa pedra é pesada, né? E essa é leve!”) para ampliar o vocabulário descritivo. Estimular a autonomia infantil nesse período — deixando a criança escolher qual elemento quer explorar e como quer organizar sua coleção — é fundamental para o desenvolvimento da agência e da autoconfiança.
Crianças pequenas (4 a 5 anos e 11 meses): classificação, arte e investigação
As crianças de 4 a 5 anos estão prontas para propostas mais estruturadas de investigação científica, classificação lógica e produção artística intencional. Nessa faixa, é possível desenvolver projetos de maior duração — como um projeto sobre sementes que se estende por várias semanas — e envolver as crianças em todas as etapas: levantamento de hipóteses, experimentação, registro e comunicação dos resultados.
Atividades específicas para essa fase incluem: criação de herbários simples (folhas prensadas e identificadas), experimentos de germinação com registro diário em tabela pictórica, produção de tintas naturais aplicadas em obras de arte, construção de maquetes com elementos do ambiente, classificação de rochas por cor, textura e peso com uso de lupas, e iniciação ao conceito de cadeia alimentar por meio de histórias e dramatizações com elementos naturais como adereços. O trabalho com a natureza nessa faixa também fortalece as habilidades sociais, pois muitas propostas exigem cooperação, divisão de tarefas e comunicação de descobertas para o grupo.
Espaços e ambientes para trabalhar com a natureza na escola
O ambiente físico é, ele mesmo, um educador — conceito central na abordagem de Reggio Emilia e amplamente reconhecido pela pedagogia contemporânea. Como demonstram estudos sobre os espaços escolares como ambientes de aprendizagem, a forma como um ambiente é organizado comunica intenções pedagógicas, convida ou inibe determinados comportamentos e define o tipo de aprendizagem que ali pode acontecer. Pensar o espaço para o trabalho com a natureza é, portanto, uma decisão pedagógica tão relevante quanto escolher as atividades.
Como organizar o espaço externo para o brincar com a natureza
Um pátio ou área externa pensada para o brincar com a natureza não precisa ser uma floresta — mas precisa oferecer diversidade de elementos e possibilidades de ação. Alguns princípios de organização incluem:
- Zonas de terra solta: um espaço delimitado onde as crianças possam escavar, misturar e construir. Pode ser uma caixa grande de madeira preenchida com terra ou um canteiro baixo com bordas seguras.
- Área de água: uma torneira acessível às crianças, um tanque raso ou uma calha que possa ser aberta e fechada pelos próprios alunos.
- Vegetação variada: plantas de diferentes alturas, texturas e aromas — ervas como hortelã e alecrim são especialmente sensoriais e seguras.
- Materiais soltos naturais: cestas com pedras, galhos, pinhas, sementes e folhas disponíveis para uso livre durante o recreio e as atividades externas.
- Superfícies variadas: grama, areia, paralelepípedo, madeira — diferentes texturas sob os pés desenvolvem percepção sensorial e equilíbrio.
Cantinhos da natureza dentro da sala de aula
Mesmo sem sair da sala, é possível criar um ambiente rico em elementos naturais. O cantinho da natureza é um espaço permanente dentro da sala onde ficam disponíveis materiais para exploração livre e dirigida. Elementos essenciais para esse espaço:
- Coleção de elementos naturais organizados em potes transparentes ou bandejas (pedras, sementes, conchas, galhos)
- Plantas vivas — suculentas e bromélias são resistentes e de fácil manutenção
- Lupas, pinças e colheres pequenas para exploração detalhada
- Livros de imagens sobre animais, plantas e fenômenos naturais
- Terrário simples ou aquário pequeno, quando possível
- Materiais para registro: papel, lápis, fichas de observação com pictogramas
Esse cantinho deve ser renovado periodicamente — a cada estação, a cada projeto temático — para manter o interesse e refletir o que está sendo estudado pela turma.
O que fazer quando a escola não tem área verde
A ausência de área verde não é impeditivo para trabalhar elementos da natureza — exige apenas mais criatividade e planejamento. Algumas estratégias eficazes para escolas com espaço externo limitado:
- Horta vertical ou em vasos: mesmo em varandas ou corredores, é possível cultivar ervas e pequenas hortaliças em garrafas PET, caixas de madeira ou vasos empilhados.
- Parcerias com espaços externos: praças, parques e jardins próximos à escola podem ser visitados regularmente como extensão do ambiente educativo.
- Natureza trazida para dentro: as famílias podem ser convidadas a contribuir com elementos naturais coletados nos fins de semana — pedras de viagens, conchas de praias, folhas de diferentes regiões.
- Aquários e terrários: pequenos ecossistemas fechados dentro da sala permitem observação contínua de elementos naturais sem necessidade de espaço externo.









