Trabalhar as estações do ano na educação infantil vai muito além de ensinar nomes e características climáticas. É uma oportunidade pedagógica rica para que as crianças compreendam os ciclos naturais, desenvolvam observação do ambiente e conectem aprendizados de diferentes disciplinas de forma lúdica e significativa. Quando bem explorado, esse tema transforma a sala de aula em um espaço de descobertas contínuas, onde cada estação traz novas experiências sensoriais e possibilidades de aprendizado.
No Colégio Itatiaia, acreditamos que as estações do ano são excelentes recursos para estimular a curiosidade infantil e integrar conhecimentos sobre natureza, ciências, artes e movimento. Através de atividades práticas, brincadeiras educativas e exploração dos espaços verdes da escola, as crianças vivenciam na prática como o ambiente muda, como os animais e plantas se comportam em cada período, e desenvolvem consciência ambiental desde pequenas.
Neste conteúdo, você descobrirá estratégias eficazes e criativas para trabalhar as quatro estações com seus alunos, aproveitando cada momento do ano letivo para enriquecer o desenvolvimento integral das crianças.
Por que trabalhar as estações do ano na educação infantil é essencial para o desenvolvimento
As estações do ano representam muito mais do que variações de temperatura ou paisagem. Para a criança pequena, elas constituem um dos primeiros grandes ciclos que ela pode observar, sentir e compreender no mundo real — e é exatamente por isso que explorar esse tema na educação infantil vai muito além de um conteúdo de ciências. Trata-se de uma porta de entrada para o pensamento científico, para a linguagem, para a arte e para o desenvolvimento emocional.
Do ponto de vista cognitivo, as estações introduzem conceitos fundamentais como sequência, causa e efeito, transformação e ciclicidade. A criança que aprende que as folhas caem no outono e voltam a brotar na primavera está, na prática, construindo sua noção de tempo, de reversibilidade e de padrões naturais — bases que sustentarão aprendizagens matemáticas e científicas ao longo de toda a vida escolar.
Do ponto de vista sensorial e afetivo, cada período do ano oferece estímulos únicos: o cheiro da terra molhada no verão, a textura das folhas secas no outono, o frio que convida ao aconchego no inverno, as cores vibrantes das flores na primavera. Esses estímulos são matéria-prima para o desenvolvimento sensorial de bebês, para a ampliação do vocabulário de crianças de 3 e 4 anos e para a construção de registros e hipóteses por crianças de 5 e 6 anos.
Além disso, o tema permite uma abordagem genuinamente interdisciplinar. Em um único projeto, o professor pode articular ciências da natureza, linguagem oral e escrita, artes, matemática e educação física — tudo a partir de fenômenos que a criança já vivencia no cotidiano. Essa conexão entre currículo e experiência concreta é um dos pilares de uma proposta pedagógica que usa o ambiente como recurso de aprendizagem, tornando o conhecimento significativo e duradouro.
Por fim, esse percurso fortalece a identidade da criança com o lugar onde vive, aguça sua curiosidade investigativa e contribui para a formação de um olhar atento e cuidadoso para a natureza — valores essenciais desde a primeira infância.
O que as crianças precisam aprender sobre as estações do ano (por faixa etária)
Antes de planejar qualquer atividade, o professor precisa compreender o que cada faixa etária é capaz de aprender e como aprende. As estações podem ser abordadas desde o berçário, mas os objetivos, os recursos e as estratégias variam significativamente conforme o desenvolvimento cognitivo, motor, emocional e linguístico de cada grupo.
Bebês e crianças de 1 a 2 anos: estimulação sensorial com elementos das estações
Nessa faixa etária, a aprendizagem acontece inteiramente pelo corpo e pelos sentidos. Não há compreensão conceitual das estações, mas há uma enorme capacidade de registrar experiências sensoriais que formarão a base para aprendizagens futuras. O objetivo, portanto, é expor os bebês a elementos concretos de cada período do ano de forma segura, intencional e prazerosa.
No verão, banhos de água morna ao ar livre, contato supervisionado com areia úmida e observação de chuvas pela janela são experiências riquíssimas. No outono, folhas secas de diferentes texturas e tamanhos podem ser exploradas com as mãos. No inverno, tecidos macios, cobertores e roupas de lã estimulam o tato e criam associações afetivas com o aconchego. Na primavera, flores coloridas, plantas com diferentes aromas e texturas de pétalas ativam múltiplos canais sensoriais ao mesmo tempo.
O papel do educador nessa fase é nomear o que a criança está sentindo (“Está frio hoje, vamos colocar o casaquinho?”), criar rituais associados às mudanças climáticas e garantir que o ambiente acolha essas experiências com segurança.
Crianças de 3 a 4 anos: observação, linguagem e primeiras classificações
Aos 3 e 4 anos, a criança já possui linguagem oral suficiente para descrever o que observa e começa a desenvolver a capacidade de classificar objetos e fenômenos por características perceptíveis. É o momento de ampliar o vocabulário relacionado às estações, estimular a observação sistemática e introduzir as primeiras comparações entre um período e outro.
Rodas de conversa sobre o tempo (“Está frio ou quente hoje?”), calendários com registros pictóricos, passeios pelo pátio para notar mudanças na vegetação e classificação de imagens por estação são propostas muito adequadas para essa faixa. A linguagem é o grande instrumento: o professor deve nomear, perguntar, descrever e incentivar a criança a fazer o mesmo.
Nessa fase, as crianças também começam a compreender sequências simples, o que permite introduzir a ideia de que as estações se sucedem em ordem — sem exigir ainda o entendimento dos mecanismos astronômicos que causam essa sucessão.
Crianças de 5 a 6 anos: relações de causa e efeito, ciclos e registros
No último ano da educação infantil, a criança já é capaz de estabelecer relações mais complexas entre fenômenos, formular hipóteses simples e registrar suas observações por meio de desenhos, ditados ao professor ou escrita espontânea. É o momento de aprofundar a compreensão dos ciclos naturais, explorar conexões de causa e efeito (por que as folhas caem? por que chove mais no verão?) e desenvolver projetos de investigação mais estruturados.
Diários do tempo ao longo de um mês, experimentos simples com germinação de sementes em diferentes épocas do ano, murais comparativos entre estações e produção de pequenos livros sobre o tema são propostas altamente recomendadas. Essa faixa etária também se beneficia muito de visitas ao jardim da escola para observação direta das transformações na vegetação ao longo do ano.
Esse tipo de abordagem contribui diretamente para o desenvolvimento da autonomia infantil, pois incentiva a criança a investigar, registrar e comunicar suas próprias descobertas com cada vez menos mediação direta do adulto.
Como planejar um projeto pedagógico sobre as estações do ano na educação infantil
Um projeto pedagógico bem estruturado sobre as estações do ano não é uma coleção de atividades soltas. É uma sequência intencional de experiências articuladas em torno de objetivos claros, que respeitam o ritmo das crianças e dialogam com o currículo oficial. O planejamento é o que transforma uma boa ideia em aprendizagem real.
Objetivos de aprendizagem alinhados à BNCC para cada estação
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) organiza a educação infantil em cinco campos de experiências: O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; e Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. As estações podem ser exploradas em todos eles, mas o campo Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações é o mais diretamente relacionado ao tema.
Os objetivos de aprendizagem devem ser definidos por faixa etária e por estação. Para o verão, por exemplo, um objetivo para crianças de 5 a 6 anos pode ser: “Observar e descrever características do clima de verão, relacionando-as com mudanças no ambiente, nas roupas e nas atividades cotidianas.” Para o outono, com crianças de 3 a 4 anos: “Identificar e nomear cores e formas de folhas de outono, comparando-as com folhas de outras estações.” A especificidade dos objetivos é o que garante propósito pedagógico claro em cada proposta.
Além do campo de Espaços e Tempos, vale mapear objetivos nos demais campos. Uma atividade de pintura com folhas de outono, por exemplo, contempla simultaneamente Traços, sons, cores e formas (expressão artística) e Escuta, fala, pensamento e imaginação (quando a criança descreve o que produziu ou ouve uma história sobre o outono).
Como organizar a sequência didática ao longo do ano letivo
A sequência didática ideal acompanha o calendário real das estações, permitindo que as crianças observem as mudanças no ambiente ao mesmo tempo em que as estudam. No Brasil, o ano letivo começa em fevereiro, no verão, e termina em dezembro, na chegada de um novo verão — o que possibilita trabalhar os quatro períodos de forma sequencial e contextualizada.
Uma estrutura possível é organizar o projeto em quatro blocos temáticos de aproximadamente dois meses cada, com uma semana de transição entre eles para registrar as mudanças observadas e retomar o que foi aprendido. Cada bloco deve incluir: uma atividade de abertura para levantar o conhecimento prévio das crianças; propostas de exploração sensorial, artística e científica; rodas de conversa e registros; e uma atividade de síntese ou apresentação para a turma ou para as famílias.
É importante manter um painel ou mural permanente em sala que seja atualizado ao longo do ano, funcionando como memória visual do projeto. Esse recurso ajuda as crianças a perceberem a progressão do tempo e a compararem as diferentes estações de forma concreta.
Materiais e recursos necessários para o projeto
Um projeto sobre as estações do ano pode ser desenvolvido com materiais de baixo custo, muitos deles coletados no próprio ambiente escolar ou trazidos pelas famílias. Os materiais naturais — folhas, flores, sementes, pedras, galhos, terra — são os mais ricos e os mais adequados para a faixa etária da educação infantil.
- Materiais naturais sazonais: folhas secas, flores frescas e prensadas, sementes, galhos, pedras, areia, terra, água
- Materiais de registro: papel sulfite, papel kraft, cartolina, tinta guache, lápis de cor, giz de cera, cola, tesoura sem ponta
- Recursos visuais: imagens fotográficas das quatro estações, livros de literatura infantil, cartazes comparativos
- Recursos audiovisuais: músicas temáticas, vídeos curtos e adequados à faixa etária
- Recursos para o ambiente: vasos com plantas, sementes para germinação, termômetro simples, calendário do tempo
O espaço escolar como ambiente de aprendizagem deve ser considerado um recurso central: o jardim, o pátio, a área verde e até as janelas da sala são instrumentos pedagógicos valiosos para um projeto sobre as estações.
Atividades práticas para trabalhar cada estação do ano na educação infantil
A seguir, uma seleção de atividades práticas organizadas por estação, pensadas para turmas de educação infantil com diferentes faixas etárias. Cada proposta pode ser adaptada conforme o grupo e os objetivos definidos no planejamento.
Atividades para o Verão: calor, chuvas e vida ao ar livre
O verão no Brasil é marcado pelo calor intenso e pelas chuvas frequentes, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Esse contexto oferece oportunidades riquíssimas para propostas ao ar livre e experimentos simples com água.
- Experimento da evaporação: molhar o chão do pátio com água e observar como ela desaparece com o calor. Crianças de 5 a 6 anos podem registrar o tempo que levou para a água evaporar e formular hipóteses sobre o processo.
- Observação da chuva: criar um “cantinho da chuva” perto de uma janela segura, onde as crianças possam observar a chuva, ouvir seus sons e desenhar o que veem. Após a chuva, sair para notar poças, minhocas e o cheiro da terra molhada.
- Jardim de verão: plantar sementes de girassol ou de ervas aromáticas em vasinhos individuais, acompanhando o crescimento ao longo das semanas.
- Brincadeiras com água: para bebês e crianças de 1 a 3 anos, bacias com água morna, conchas e copinhos são atividades sensoriais completas e muito adequadas para o calor do verão.
- Mapa do tempo: criar um calendário coletivo onde as crianças registram diariamente se o dia está ensolarado, nublado ou chuvoso, usando símbolos combinados com a turma.
Atividades para o Outono: folhas, cores e transformações na natureza
O outono, com sua paleta de amarelos, laranjas e vermelhos, é uma das estações mais ricas do ponto de vista estético e sensorial. Mesmo nas regiões do Brasil onde a queda de folhas é menos dramática do que no hemisfério norte, é possível observar mudanças na vegetação e na temperatura que tornam o tema concreto e acessível.
- Coleção de folhas: reunir folhas de diferentes formas, tamanhos e cores no pátio da escola. Classificá-las por cor, tamanho ou forma. Para crianças maiores, fazer registros desenhados ou fotografados.
- Carimbagem com folhas: usar folhas como carimbos com tinta guache para criar texturas e padrões em papel. Explorar as nervuras como elemento estético.
- Prensagem de folhas: prensar folhas coletadas entre folhas de papel e livros pesados. Após alguns dias, observar o resultado e usar as folhas prensadas em colagens.
- Roda de conversa sobre transformações: fotografar a mesma árvore do pátio em diferentes semanas e observar as mudanças. Estimular as crianças a descrever o que se alterou e a formular hipóteses sobre os motivos.
- Mistura de cores do outono: usando tinta amarela e vermelha, explorar a combinação para obter laranja. Relacionar as cores produzidas com as que aparecem nas imagens e nas folhas coletadas.
Atividades para o Inverno: frio, agasalhos e aconchego
O inverno na educação infantil é uma oportunidade para trabalhar não apenas o clima, mas também sensações afetivas como aconchego, cuidado e proteção. A temperatura mais baixa muda a rotina das crianças — as roupas, as brincadeiras, a alimentação — e essas transformações são um excelente ponto de partida para reflexões e propostas pedagógicas.
- Caixa sensorial do inverno: montar uma caixa com materiais que remetem ao frio — tecidos de lã, meias, luvas, cachecol, cobertores macios. As crianças exploram com as mãos e descrevem as sensações.
- Culinária de inverno: preparar uma sopa ou um chá simples com as crianças, explorando o calor, o vapor, o aroma e o sabor. Relacionar a comida quente com a sensação de aconchego no frio.
- Dramatização com roupas de inverno: criar um baú com peças de vestuário da estação para dramatizações livres. Estimular as crianças a nomear cada item e a relacioná-lo com a proteção contra o frio.
- Experimento do frio: colocar água em recipientes e deixar em local frio (ou usar gelo trazido pelo professor). Observar o que acontece com a água quando esfria. Para crianças maiores, relacionar com a neve e o gelo presentes em outras regiões do mundo.
- Livro coletivo do aconchego: cada criança desenha ou recorta imagens de coisas que a fazem sentir bem no inverno. As páginas são reunidas em um livro coletivo da turma.
Atividades para a Primavera: flores, jardim e renovação
A primavera é a estação da renovação, das cores e da vida que retorna. É um dos períodos mais motivadores para trabalhar com crianças pequenas, pois oferece elementos visualmente ricos e facilmente acessíveis no ambiente escolar.
- Jardim da primavera: plantar flores em vasos ou canteiros da escola. Acompanhar o crescimento, regar diariamente e registrar as mudanças. Esse projeto pode se estender por várias semanas, desenvolvendo responsabilidade e observação sistemática.
- Observação de insetos polinizadores: observar abelhas e borboletas nas flores do jardim. Conversar sobre a relação entre insetos e flores, introduzindo de forma lúdica o conceito de interdependência na natureza.
- Mandala de flores: coletar pétalas, folhas e sementes e criar mandalas no chão do pátio ou em papel. Explorar simetria, cores e formas de maneira espontânea e criativa.
- Germinação acelerada: colocar sementes em algodão úmido dentro de um pote transparente. Acompanhar o broto emergindo ao longo dos dias. Fotografar e registrar o processo.
- Dramatização da borboleta: criar uma sequência dramática que represente a metamorfose — ovo, lagarta, casulo, borboleta. Usar fantasias simples e música para tornar a proposta mais expressiva.
Atividades de arte e expressão criativa inspiradas nas estações do ano
A arte é uma das linguagens mais potentes da educação infantil, e as estações oferecem um repertório inesgotável de formas, cores, texturas e materiais para a expressão criativa. Mais do que produzir trabalhos “bonitos”, as propostas artísticas sobre as estações devem ser processos de exploração, descoberta e comunicação.
Pinturas, colagens e esculturas com materiais naturais de cada estação
O uso de materiais naturais nas atividades artísticas tem um valor pedagógico duplo: além de estimular a criatividade e a expressão, aproxima a criança dos elementos concretos de cada período do ano, tornando o aprendizado sensorial e significativo.
No verão, areia úmida pode ser usada como suporte para esculturas temporárias ou misturada com cola para criar texturas em colagens. Flores e folhas frescas servem para estamparia com tinta. No outono, folhas secas de diferentes formas e cores são materiais perfeitos para colagens, mosaicos e carimbagem. A paleta — amarelo, laranja, vermelho, marrom — pode ser explorada na pintura com tinta guache, incentivando a mistura de cores.
No inverno, a textura é o elemento central. Tecidos de lã, algodão e feltro podem compor colagens tridimensionais. Também é possível criar “paisagens de inverno” com algodão, papel alumínio e tinta branca, explorando a ideia de neve e gelo mesmo em regiões onde esses fenômenos não ocorrem. Na primavera, pétalas de flores, sementes e folhas novas viram materiais para mandalas, colagens e pinturas. A cor verde, associada ao broto e ao renascimento, pode ser explorada em todas as suas tonalidades.
Construção de painéis coletivos e árvores das estações em sala
Os painéis coletivos são recursos visuais que transformam o ambiente da sala em um espaço de aprendizagem vivo e dinâmico. Um dos projetos mais eficazes é a construção de uma árvore das estações — uma árvore grande desenhada ou impressa em papel kraft, fixada na parede, que vai sendo modificada ao longo do ano conforme os períodos se sucedem.
No verão, a árvore pode ter folhas verdes e flores. No outono, folhas coloridas feitas pelas crianças com técnicas variadas vão sendo coladas e depois retiradas para simular a queda. No inverno, a árvore fica “pelada”, com apenas os galhos — e as crianças podem adicionar pássaros, ninhos ou flocos de neve. Na primavera, brotos e flores novas surgem, criando um ciclo visual completo que pode ser revisitado e comparado ao longo do ano.
Além da árvore das estações, painéis temáticos por período podem ser construídos coletivamente, com cada criança contribuindo com um elemento. Esse processo fortalece o senso de pertencimento ao grupo e a habilidade de colaboração social, além de produzir um registro visual rico do percurso de aprendizagem da turma.
Músicas, histórias e vídeos para apresentar as estações do ano às crianças
A linguagem artística — musical, literária e audiovisual — é uma das formas mais eficazes de introduzir e aprofundar conceitos na educação infantil. As crianças aprendem cantando, ouvindo histórias e assistindo a imagens em movimento muito antes de serem capazes de ler ou escrever. Por isso, a seleção cuidadosa de músicas, livros e vídeos integra o planejamento pedagógico sobre as estações do ano.
Seleção de músicas infantis sobre as estações do ano para usar em sala
A música na educação infantil cumpre múltiplas funções: desenvolve a linguagem, a memória, a coordenação motora e a percepção rítmica, além de criar associações afetivas com os conteúdos trabalhados. Canções sobre as estações ajudam as crianças a memorizar características de cada período de forma prazerosa e repetitiva — o que é pedagogicamente muito eficaz nessa faixa etária.
- “As Quatro Estações” de Vivaldi: embora seja música clássica instrumental, pode ser usada com crianças a partir de 3 anos em atividades de expressão corporal. Cada movimento da obra representa uma estação e convida a gestos diferentes — agitados no verão, suaves no inverno.
- Músicas do repertório da MPB sobre chuva e natureza: “Aquarela” (Toquinho), “Asa Branca” (Luiz Gonzaga) e “O Caderno” (Arnaldo Antunes) abordam elementos naturais e podem ser exploradas em contexto.
- Cantigas e músicas folclóricas sazonais: “Chuva, Chuva”, “Marcha Soldado” (associada ao inverno em algumas versões regionais) e músicas sobre flores e jardins são clássicos do repertório infantil brasileiro.
- Músicas criadas coletivamente: o professor pode propor que a turma componha uma canção simples sobre cada estação, usando uma melodia conhecida e trocando a letra. Esse processo desenvolve criatividade, linguagem e identidade coletiva.
Livros de literatura infantil que abordam as estações do ano
A literatura infantil é uma das ferramentas mais ricas para explorar as estações, pois une linguagem, imaginação, ilustração e emoção em um único objeto. A escolha dos livros deve considerar tanto a qualidade literária e estética quanto a adequação à faixa etária e ao objetivo pedagógico.
- “A Que Sabe a Lua?” (Michael Grejniec): embora não trate diretamente das estações, aborda a natureza e a colaboração de forma poética, sendo adequado para crianças de 3 a 6 anos.
- “Chapeuzinho Vermelho” e outras versões de contos clássicos: muitas narrativas tradicionais se passam em florestas que mudam com as estações, oferecendo contexto para explorar o tema.
- “O Jardim de Babai” (Christiane Gribel e Orlando): aborda o ciclo das plantas e das estações de forma acessível para crianças pequenas.
- Livros de imagens sobre a natureza: álbuns ilustrados com fotografias ou ilustrações de alta qualidade das quatro estações são recursos visuais poderosos, especialmente para bebês e crianças de 1 a 3 anos.
- Livros produzidos pelas próprias crianças: ao final de cada estação, a turma pode elaborar um pequeno livro coletivo com registros, desenhos e ditados ao professor sobre o que aprenderam.
Como usar vídeos educativos de forma intencional e pedagógica
O uso de vídeos na educação infantil deve ser sempre intencional, breve e acompanhado de mediação pedagógica. Não se trata de ligar o projetor e deixar as crianças assistindo passivamente, mas de selecionar conteúdos específicos, assisti-los junto com elas e criar momentos de conversa e reflexão antes, durante e depois da exibição.
Vídeos adequados para trabalhar as estações incluem documentários curtos sobre a natureza em diferentes períodos do ano, animações que mostram o ciclo das plantas ou a migração de animais, e registros de paisagens naturais de diferentes regiões do Brasil e do mundo. O tempo de exibição deve ser curto — de 3 a 8 minutos para crianças de 3 a 6 anos — e o conteúdo deve ser sempre contextualizado antes de ser exibido (“Hoje vamos ver como é o outono em uma floresta. O que vocês acham que vamos encontrar?”) e explorado depois (“O que vocês viram? O que chamou mais atenção? Isso acontece aqui na nossa cidade?”).
Como explorar as estações do ano em diferentes áreas do conhecimento
A interdisciplinaridade é uma das marcas de um bom projeto pedagógico na educação infantil. As estações do ano são um tema naturalmente transversal, que pode — e deve — ser explorado em múltiplas áreas do conhecimento de forma integrada e coerente.
Ciências da natureza: clima, animais e plantas em cada estação
As ciências da natureza são o campo mais diretamente associado às estações, e a educação infantil é o momento ideal para construir as primeiras bases do pensamento científico: observação, registro, formulação de hipóteses e comparação de resultados.
Em cada período do ano, é possível explorar: as características do clima (temperatura, chuva, vento, umidade); as mudanças na vegetação (folhas, flores, frutos, sementes); o comportamento dos animais (migração, hibernação, reprodução, alimentação); e as relações entre os seres vivos e o ambiente. Para crianças da educação infantil, esses conteúdos devem ser trabalhados a partir da observação direta do ambiente escolar, com apoio de imagens, livros e vídeos para complementar o que não é possível observar localmente.
Linguagem oral e escrita: rodas de conversa, registros e histórias
As estações do ano oferecem um contexto rico para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita. Rodas de conversa sobre as mudanças observadas no ambiente, descrição de









