Considerado pelos estudiosos e profissionais da primeira infância como um momento de descobertas, o desfralde é uma grande conquista rumo à autonomia da criança. É  nesse período que ela começa a ter consciência de sua capacidade de controle do xixi e do cocô.

Para que isso aconteça no tempo adequado da criança, é fundamental que pais e educadores entendam como se dá essa etapa do desenvolvimento infantil, uma vez que se trata de um período de maturação cerebral, física e emocional frente a esse novo desafio. Segundo a Associação Brasileira de Pediatria, o ideal é que o processo comece por volta dos 24 meses, nunca antes.

A identificação do momento certo para iniciar o desfralde ocorre a partir da observação dos sinais emitidos pela criança. Por exemplo, ela interrompe a atividade que estava fazendo e / ou se desloca do ambiente para um local mais reservado e / ou  avisa que está fazendo xixi ou cocô. Muitas vezes, o adulto interpreta como um sinal o fato de a criança incomodar-se com a fralda, mas é preciso muita atenção, pois esse, sozinho, não é um indicador de que a criança está pronta para começar o desfralde.

Forçar o desfralde, desrespeitando o tempo de aprendizado da criança, pode ser prejudicial ao seu desenvolvimento e levar a problemas que se prolongam na infância e na vida adulta, como a prisão de ventre, por exemplo. Assim, o processo de desfralde, quando se inicia, não tem retorno, pois o “põe e tira de fraldas”, independentemente das circunstâncias, confunde a criança. Pais e educadores precisam estabelecer combinados, escolher o período em que se dará o processo e ter consciência de que todos deverão dedicar-se igualmente a isso.

Deve-se evitar iniciar o desfralde no inverno e em momentos que coincidem com mudanças importantes na vida da criança, como nascimento de um/a irmão/ã, separação dos pais, mudança de casa ou de escola, entre outras.

É normal a criança apresentar períodos de evolução e regressão durante o processo. Não querer usar o vaso sanitário, fazer menos cocô, recusar-se a usar o banheiro, reclamar ou chorar quando o adulto sugere que é hora de ir ao banheiro e voltar a fazer xixi na calça são atitudes muito comuns. É necessário estar atento a esses sinais e ter paciência, conversar e tranquilizá-la com relação ao que a está incomodando.

Não se deve falar para a criança que está na hora de fazer xixi ou cocô, mas dizer: _Vamos lá ver se tem xixi ou cocô? . A diferença entre um convite e outro é que “ver se tem” é algo que leva a criança a uma maior percepção dos sinais que o corpo manifesta para xixi ou cocô. Fazer cocô, por exemplo, traz uma certa dor ou incômodo momentâneo, natural que a criança necessita apreender.

O adulto está no controle da situação, e não a criança. Por essa razão, é ele quem deve incentivá-la e levá-la ao banheiro todas as vezes, mesmo que ela responda ou justifique que não tem nada e não queira ir. Nesse momento, é importante mostrar-se calmo,   acolhedor, nunca dar bronca, criar estímulos e não moeda de troca, mesmo diante dos escapes.

Ao iniciar o desfralde, o adulto deve conversar com a criança e dizer que ela não precisará mais usar a fralda, mas calcinha ou cueca como a mamãe e o papai. Recomendamos que o momento da compra seja alegre, divertido, como um acontecimento importante e que ela participe na escolha das peças.

Desde o início, a criança deve ser convidada a “ver se tem xixi ou cocô” várias vezes ao longo do dia. Primeiro, a cada vinte/trinta minutos, espaçando o tempo gradativamente a partir do ritmo da criança. É importante lembrar que quanto mais líquido ela tomar, mais xixi fará.

Normalmente, tira-se primeiro a fralda do período diurno. À medida que a criança progride, inicia-se o processo de retirada da fralda do período noturno. Ela deve fazer xixi antes de dormir e se os escapes noturnos forem frequentes e por muito tempo, não deverá ingerir líquidos de duas a três horas antes de ir para a cama.

É aconselhável comprar um redutor para ser adaptado ao vaso sanitário. Se a criança apresentar dificuldade ao usá-lo, um penico pode ser mais fácil. Deve ser colocado num local onde ela costuma brincar.

Meninos e meninas aprendem primeiramente sentados. Depois do controle já adquirido, os meninos devem ser estimulados a fazer xixi em pé, como o papai.

É fundamental nunca retardar a ida ao banheiro quando a criança pedir. Muitas vezes, ela ficará sentada no penico ou no vaso sanitário sem fazer nada. Quando obtiver sucesso, é importante elogiá-la, mas sem exagero.

A mochila da escola deve conter várias trocas de roupa e calcinhas ou cuecas, além de  calçados impermeáveis.

Os pais não devem se mostrar ansiosos para que a criança passe logo por esse processo. Cada uma tem seu ritmo e seu tempo e é essencial respeitar seus limites e capacidades.

Quando a criança aprende a identificar as sensações manifestadas pelo corpo para fazer xixi ou cocô, ela realizou o desfralde. Sugerimos o livro “Pai, todos os animais soltam pum?”- Ilan Brenman - Editora: Brinque-Book, para uma leitura em família.

É essencial que os pais vivenciem o  processo de desfralde como um período de troca, de afeto, de carinho e de amor com a criança.

 

Equipe Colégio Itatiaia

Bibliografia: Infância: especialista dá dicas para o desfralde, Em: http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/infancia-especialista-da-dicas-para-o-desfralde Desfralde: conquista importante no desenvolvimento infantil, Em: http://radardaprimeirainfancia.org.br/por-onde-comecar/desfralde/

Tirar a Fralda | Conversa com Criança Em: https://www.youtube.com/watch?v=EGzq9rPEOs4