A diretora do Colégio Itatiaia (Escola de Educação Infantil  da Aclimação) explica que é necessário esclarecer sobre a real situação financeira da família e dá dicas de como elas podem colaborar.

Ano de recessão econômica, agora mais do que nunca, é preciso economizar. Mais difícil do que ter que fazer cálculos, enxugar orçamentos e cortar os gastos para a família brasileira, é conscientizar as crianças. A diretora do Colégio Itatiaia, Priscila Manetta, orienta e dá dicas aos pais de como educar os pequenos a valorizar o trabalho e o dinheiro que se ganha através dele.

“Toda criança é capaz de aprender e ter noções de economia, basta saber utilizar a linguagem certa, dependendo da idade”, declara Priscila.

A primeira atitude a ser tomada em momentos de crise, é esclarecer o que está acontecendo e o motivo, ou seja, expor a criança à realidade. Evitar falar sobre a situação financeira da família não ajuda em nada e pode ter um efeito devastador. Isso porque geralmente a criança percebe quando os pais estão trabalhando demais, nervosos, adiam compromissos ou deixam de comprar presentes por falta de dinheiro, mas se estiver ciente do que está acontecendo ao seu redor ficará muito mais fácil lidar com a situação.

 

Procure explicar para ela o valor do dinheiro, como funciona o seu trabalho e o quanto tempo se dedica por dia para conseguir receber seu salário todo mês.

 

Mostre as contas mensais de casa e o custo das coisas.  A maioria das crianças não sabe que a água quente, por exemplo, custa mais do que a fria e que banhos demorados gastam mais. Luz por muito tempo acesa, torneira gastando água desnecessariamente, só encarecem no final do mês.

 

A diretora explica que a economia deve acontecer, desde a luz elétrica até no não desperdício de comida e na conservação de bens para que não estraguem fácil.

Os pais devem ensinar seus filhos a gastarem dinheiro com coisas desnecessárias e priorizarem o que realmente é importante.

 

As famílias podem inclusive fazer um planejamento e a partir daí estipular metas para que juntos consigam economizar e chegar a um resultado em conjunto. Desta forma, além de aprender a importância do trabalho e o valor do dinheiro, a criança desenvolve melhor o raciocínio lógico, trabalha em equipe, aprende a cooperar, a ter responsabilidades e consegue entender que tem um papel fundamental dentro de casa.

 

E sempre que houver um aumento ou diminuição nas contas, é importante passar um feedback para a criança, mostrando o benefício de ter ajudado a economizar ou como ela poderia ter colaborado melhor.

 

Vale lembrar que é necessário que a educação financeira de seus filhos é uma constante e não apenas em momentos de crise. Deve-se criar certa familiaridade da criança com o dinheiro desde cedo. Se a criança for muito pequena, é possível fazer isto através de brincadeiras, já se for um adolescente, o melhor a fazer é atribuir-lhe responsabilidades.

 

“Sempre o mais importante é mostrar a diferença entre valor e preço, necessidade e gasto. O adulto tem que saber balancear para que a criança não pense apenas em economizar, mas que também não acabe gastando demais, tornando-se consumista ao extremo”, aconselha a diretora.

 

Saiba como educar financeiramente desde cedo

Quando muito pequeno, apresente as notas de dinheiros e moedas, mostrando a diferença entre elas através das cores e desenhos. Se preparado para os jogos de mesa, aproveite, hoje existem jogos que ensinam brincando.

 

Cofrinhos são ótimos presentes, porém ajudá-los a organizar as finanças para que os pequenos consigam atingir os objetivos propostos com o dinheiro guardado é essencial.

Estimule seu filho a fazer tarefas além das convencionais (arrumar a cama, guardar roupas e brinquedos e fazer as tarefas da escola), como tirar o lixo, ajudar a guardar as compras do supermercado, estender a roupa, e ofereça uma pequena quantia em dinheiro por cada serviço. Esta é uma maneira deles entenderem na prática o esforço que se tem que fazer para cada centavo conquistado.

 

Jamais deixe seu filho escolher livremente um presente em uma loja de brinquedos. Mostre a quantia que pode gastar para que ele compre um brinquedo que esteja dentro do orçamento da família e não se frustre por isso. Aí vale uma dica bem interessante: mostre para o seu filho que ele pode adquirir dois brinquedos mais baratos ao invés de um só muito caro, assim ele fica com duas opções e começa a raciocinar melhor o que compensa mais,  desenvolvendo melhor a matemática e comparando preços.

 

Outra recomendação é dividir com ele o valor de um brinquedo, os pais podem dar metade do dinheiro e o filho a outra parte, que pode conseguir executando atividades em casa e recebendo por isso.

 

Para os pais que pensam dar mesada, não há um tempo exato para dar início, mas é importante que os responsáveis definam com os filhos uma data para o pagamento, por exemplo: toda quinta feira ou dias 1 e dia 20 etc. Os pais também precisam cumprir as datas estabelecidas assim, como a quantia.

 

É importante que os mentores ajudem a definir o que deverá ser comprado pelos filhos, para que usem a mesada de maneira que os beneficiem, adquirindo coisas que desejam sem que seja em datas comemorativas, podendo comprá-los com o que ganharam no mês, além de também incentivá-los a guardar uma porcentagem para ensinar que ao poupar, pode se ter garantias no futuro.

 

Tenha cuidado com propagandas para que as crianças não se tornem impulsivas e sempre que possível tente explicar que toda compra deve ser planejada e não feita de maneira impulsiva.

 

E aquele ditado que “trabalho dignifica o homem”, é muito válida, e devemos sempre estimulá-los ao trabalho.

 

E o mais importante: a criança irá aprender principalmente com aquilo que vê dentro de casa. As atitudes dos pais influenciam diretamente. Portanto é sempre fundamental que os pais deem o exemplo, pois caso contrário, os ensinamentos serão em vão.