Como decidir entre deixar seu filho com a babá, com a avó, ou em um berçário?

Pensar nas diversas opções sobre onde deixar os filhos enquanto os pais trabalham pode ser bastante estressante. A avó está disponível e cheia de amor para dar, a babá mantém a ordem conforme as exigências dos pais e o berçário estimula o desenvolvimento e a independência das crianças... O que fazer então?

Primeiro é necessário realizar uma boa pesquisa sobre os prós e contras de cada alternativa, a fim de analisá-las e tomar a melhor decisão. As coordenadoras do Colégio Itatiaia Regina Célia e Cláudia Razuk ajudam quem está nesta situação e apontam as vantagens e desvantagens de cada um:

 

Babá:

Ainda há no Brasil babás que ficam o dia todo, inclusive às noites, com as crianças. Isso pode ser um grande alívio para as mães, mas é importante observar que ocorre uma restrição na privacidade da família. Esse é um dos maiores conflitos quando ocorre a opção pelas babás. A fim de minimizar as intromissões no lar (e as críticas sobre seu modo de agir), algumas babás recolhem-se com as crianças a maior parte do tempo, mantendo a mesma afastada dos pais, que deviam curtir e participar da formação nessa que é uma das fases mais importantes do desenvolvimento afetivo e cognitivo da criança. Se optar por uma babá, os pais devem estar atentos a essa situação e forçar o convívio.

 

As babás variam muito quanto à formação e deve-se atentar a isso na escolha. Porém essa é uma escolha vinculada a opção de “cuidar” da criança e não de “estimulá-la ou desenvolve-la”. As crianças aprendem muito com exemplos, hábitos, modos de falar, e do comportamento daqueles que mais convivem com elas, e assim, é arriscado optar por uma babá despreparada por razões econômicas.

 

Há vantagens na babá com relação ao recebimento de ordens. Uma avó também tem direcionamentos e não aceita qualquer sugestão sem questionar, no entanto é fácil dizer à babá que não dê doces para uma criança. Infelizmente, é difícil verificar e confiar que tais ordens são sempre seguidas, ou mesmo que a criança está recebendo a atenção e o carinho necessários. A profissional atuando sem supervisão constante pode não seguir as recomendações e em alguns casos mais graves, ter comportamentos que põe em risco a criança. Fique atenta se sua babá está ficando nervosa ou estressada, a tarefa de cuidar de uma criança pode ser muito cansativa e as babás não têm a quem apelar.

 

Algumas babás aceitam trabalhar de final de semana, o que pode ser um conforto, mas os pais não devem esquecer que a babá é também um empregado, que segue as regras da CLT, tendo direito ao registro, folga, férias, 13º, etc... Se você não deixaria seu carro nas mãos de um manobrista nervoso, não deve deixar seu filho com um funcionário insatisfeito.

 

Avó:

 

Há um famoso ditado que diz, “Avó é mãe com açúcar”. Assim como a babá, as crianças poderão ter um atendimento exclusivo com a avó, sempre pronta atender aos pedidos dos netos. Por outro lado o desenvolvimento da criança e de sua independência pode ser comprometido por avós muito zelosas, que não deixam a criança explorar suas potencialidades. A expressão “criada pela avó” não surgiu por acaso. Além desse problema, em muitos casos, os conflitos ocorrem porque a avó vai querer educar os netos à sua maneira e os pais podem achar que ela está interferindo na educação do filho.

 

A parte boa é que com os avós há mais confiança e proximidade. O afeto dos avós com os netos cria um forte vínculo e a convivência entre eles é bem mais fácil. Há muito menos probabilidade de uma avó maltratar um neto do que uma babá. O problema é que se avó é perfeita para o caso de a criança ficar doente e ter de ficar em casa, a avó muitas vezes não dá conta de criar uma criança pequena cotidianamente. A avó, exercendo o papel de mãe, acaba restringindo o prazer que teria em ser só avó. Aquela criança que nasceu com 3 quilos em breve terá 10, e segurá-la no colo não será mais uma tarefa que possa ser feita sem esforço físico.

 

A avó é certamente a opção mais econômica. O principal risco da opção pela avó é que após alguns meses nem a avó, nem os pais estejam satisfeitos com o arranjo, mas ninguém tenha coragem de verbalizar isso e seja a criança quem sofre com essa situação. Não opte nunca pela avó se você e ela não tiverem a coragem para desistir dessa opção depois.

 

Berçário:

 

Os berçários tem como principal vantagem a existência de outras crianças e de profissionais que estimulam os bebês. Certamente, como no caso das babás, a escolha daquele que transmite segurança é essencial. Um bom berçário facilita a vida já que ajuda na construção de rotinas e na educação da criança.

 

A maior preocupação é com as doenças, comuns em um grupo maior de crianças. Na escola a atenção não será exclusiva. Quando o filho adoecer, os pais precisam se organizar para providenciar uma outra opção onde a criança possa ficar até ela melhorar.

 

A vantagem é que ela poderá desenvolver-se mais completamente na questão da sociabilidade e quantidade de estímulos e até mesmo na sua imunidade. O berçário tem profissionais capacitados para tomar conta dos bebês, há toda uma estrutura, brinquedos, atividades diversas, cuidados com a higiene e alimentação. Bons berçários seguem especificações quanto à alimentação e cuidados específicos, sem problemas. Como os berçários funcionam apenas no horário em que os pais estão trabalhando, o contato dos pais com a criança fica assegurado.

 

Os pais ficam tranquilos porque sabem que a criança está aprendendo, está alimentada, tem estimulação personalizada e aprende a partilhar as coisas com outras crianças.

 

Dentre tantas opções, a coordenadora Cláudia Razuk faz uma ressalva importante aos pais: “Dentre tantas alternativas, a mais recomendada é aquela que ofereça mais qualidade de vida à família, independente da opção”. 

(originalmente publicado na revista Mundo Mulher em 2010).